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Por que boa parte dos motoristas só entendem o CTB quando são multados?

22 de janeiro de 2026
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Não há no Brasil uma cultura consolidada de atualização do condutor após a habilitação. Foto: Lopolo para DepositphotosUma situação se repete com frequência no trânsito brasileiro: o motorista só procura entender o Código de Trânsito Brasileiro depois de receber uma multa. Antes disso, regras, artigos e resoluções parecem distantes da rotina. O CTB passa a existir, de fato, apenas quando gera impacto financeiro ou ameaça a CNH.

Esse comportamento revela uma falha estrutural na forma como o trânsito é aprendido e vivenciado no Brasil.

Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, avalia que o problema começa na formação inicial.

“O condutor aprende o suficiente para passar na prova. Depois disso, o CTB desaparece do cotidiano. Sem educação continuada, a lei vira surpresa”, afirma.

A legislação de trânsito é extensa e sofre alterações frequentes. No entanto, não há no Brasil uma cultura consolidada de atualização do condutor após a habilitação. O resultado é um distanciamento progressivo entre a norma e a prática diária.

Outro fator é a percepção de risco seletiva.

Muitos condutores sabem, de forma genérica, que determinadas atitudes são proibidas, mas só buscam o detalhe legal quando a penalidade chega. A multa funciona como gatilho de interesse — ainda que tardio.

Conforme Celso Mariano, isso distorce o papel da lei. “Quando o CTB só aparece como punição, ele perde seu caráter educativo. A lei deveria orientar antes, não assustar depois”, destaca.

A comunicação institucional também contribui para esse cenário. Grande parte das campanhas se concentra em datas específicas, enquanto o cotidiano do trânsito segue sem orientação contínua. Além disso, a linguagem jurídica afasta o cidadão comum.

Esse distanciamento gera um ciclo problemático: o motorista não conhece bem a regra, comete a infração, sente-se injustiçado ao ser multado e passa a enxergar o sistema como inimigo, e não como instrumento de segurança.

Romper esse ciclo exige investimento em informação clara, acessível e permanente. O CTB precisa estar mais presente no dia a dia do cidadão, traduzido em situações reais e dúvidas práticas.

Enquanto a lei continuar sendo lembrada apenas no momento da penalidade, o trânsito seguirá reagindo aos erros — em vez de preveni-los.

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