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Cooperativas estão redefinindo o crédito no Paraná

27 de abril de 2026
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No Paraná, os “vazios” do sistema financeiro mudaram de significado, mas não pelas agências bancárias convencionais. Em centenas de cidades do estado, o acesso a crédito, conta corrente, investimentos e outros serviços está disponível mesmo sem a presença de um banco tradicional. O que antes era ausência passou a ser ocupado por outro modelo, cada vez mais determinante, especialmente no interior: o cooperativismo de crédito. Mais do que preencher lacunas, esse modelo já produz efeitos perceptíveis. Em municípios com presença de cooperativas, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita é, em média, 5,6% maior, enquanto o número de empregos formais cresce 6,2% e o total de empresas aumenta 15,7%, segundo pesquisa da FIPE/USP (2025). Em um único ano, o impacto agregado resultou na criação de 70 mil novos negócios e 278 mil postos de trabalho no país. No Paraná, o acesso ao crédito deixou de depender da presença bancária e passou a ser definido pelo modelo. No estado, essa transformação ganha escala. As cooperativas de crédito estão presentes em 376 das 399 cidades paranaenses e, em 130 delas, são a única porta de acesso a serviços financeiros presenciais, conforme dados do Sistema Ocepar. O movimento é observado em diferentes sistemas cooperativos no estado, com estratégias semelhantes de interiorização e foco no desenvolvimento local. Uma das instituições mais tradicionais do cooperativismo de crédito no país, o Sicredi, está presente em 342 municípios paranaenses, sendo a única instituição financeira em 59 deles, com uma rede de 490 agências e cerca de 1,7 milhão de associados no estado. Em paralelo, o volume de crédito liberado pela instituição saltou de R$ 43,8 bilhões em 2022 para R$ 77,4 bilhões em 2025, confirmando a aceleração desse modelo nos últimos anos. Modelo ajuda a criar riqueza nas próprias localidades Segundo o gerente de Negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ, Gilson Nogueira, o crédito concedido atua como motor direto do desenvolvimento econômico das cidades, ao viabilizar investimentos, estimular negócios e gerar renda dentro das próprias comunidades. “Quando esses recursos chegam a empresas, produtores e empreendedores, eles se transformam em expansão de atividades, abertura de novos negócios, modernização de operações e, principalmente, geração de empregos. Além disso, no modelo cooperativo, esse impacto é potencializado porque a riqueza permanece na região”, afirma. Os números ajudam a dimensionar o alcance de uma estrutura que cresce, sobretudo, fora dos grandes centros e em regiões historicamente menos atendidas. Em 2025, o Paraná encerrou o ano com 67 cooperativas de crédito, mais de 4,1 milhões de associados e 23,7 mil empregados. Ao todo, são 1,3 mil pontos de atendimento e mais de R$ 172,5 bilhões em ativos, consolidando um sistema que amplia o acesso ao crédito e redefine quem participa da economia formal. Para o superintendente do Sistema Ocepar, Robson Mafioletti, o avanço das cooperativas de crédito está diretamente ligado a mudanças regulatórias que ampliaram o alcance do modelo e abriram espaço para sua expansão. “A partir dos anos 2000, com a legislação que permitiu a livre admissão de associados, as cooperativas deixaram de atender apenas categorias específicas e passaram a alcançar qualquer pessoa. Isso abriu um potencial de mercado significativo”, afirma Mafioletti. De acordo com Mafioletti, graças a essa mudança nas leis, “hoje, o cooperativismo de crédito já responde por uma parcela relevante do financiamento, especialmente no agronegócio”, afirma. “No Paraná, cerca de 50% do crédito de custeio para produtores cooperados vem dessas instituições, algo impensável há algumas décadas, quando esse volume era praticamente inexistente” Antes das cooperativas de crédito, rotina era mais difícil O avanço das cooperativas também tem sido associado ao fortalecimento da inclusão financeira, ao ampliar o acesso de pequenos empreendedores, produtores rurais e pessoas físicas a serviços antes restritos a centros maiores. Em Ventania, nos Campos Gerais, onde não há agências de bancos tradicionais, esse movimento ganha forma concreta. O empresário Arnaldo Ramos da Cruz construiu sua trajetória apostando no comércio local. Há 33 anos no setor de produtos agropecuários e materiais de construção, ele viu seu empreendimento crescer junto com a presença do cooperativismo de crédito na cidade. Antes da chegada de uma cooperativa de crédito na cidade, em 2001, a rotina era mais difícil. “Eu precisava ir uma vez por semana até Piraí do Sul para resolver tudo no banco”, relembra. O deslocamento, que fazia parte da operação do negócio, também limitava o crescimento, realidade comum a empreendedores de municípios pequenos, como Ventania, que tem cerca de 9,6 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mudança veio com a instalação da cooperativa. O acesso ao crédito permitiu a expansão da empresa, que começou pequena e segue em crescimento. “Eles acreditaram no nosso potencial. Foi isso que fez a diferença”, diz o empreendedor. Histórias como a dele se repetem em diferentes municípios do interior paranaense, especialmente em regiões onde o fechamento de agências bancárias ampliou a dependência de soluções locais. O caso de Arnaldo traduz, em escala individual, um fenômeno que hoje já aparece nas estatísticas: quando o crédito chega por meio de cooperativas, ele tende a permanecer na própria região, financiando negócios, gerando empregos e ampliando a renda local. Além do crédito, o empresário destaca a diversidade de soluções oferecidas, como consórcios e outros serviços financeiros, e o retorno distribuído aos associados ao fim de cada ano, prática que reforça o vínculo com a comunidade e diferencia o modelo. Arnaldo Ramos da Cruz, empresário de Ventania, diz que seu empreendimento cresceu junto com a presença do cooperativismo de crédito na cidade. Foto: Patricia BiazettoLógica voltada para o desenvolvimento Essa lógica é central para entender o avanço do setor. Para o economista e vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Carlos Tristão, as cooperativas operam sob uma lógica distinta da dos bancos tradicionais. “Bancos visam lucro. Cooperativas são sociedades de pessoas e empresas voltadas ao desenvolvimento econômico de regiões ou setores específicos”, comenta. Segundo o economista, nesse modelo, o cliente também é dono da instituição. Participa das decisões, influencia os rumos da cooperativa e recebe parte dos resultados, um arranjo que ajuda a manter os recursos circulando dentro da própria região. “Como o cooperado é também dono, tende a concentrar mais suas operações. Isso gera escala e competitividade, criando um círculo virtuoso”, explica o economista. Na prática, essa estrutura costuma se refletir em custos menores. Em operações de capital de giro, as taxas podem ficar entre 10% e 20% abaixo das praticadas por bancos tradicionais. Em 2025, os benefícios econômicos gerados pelo Sicredi aos associados, por exemplo, somaram R$ 31,1 bilhões, o maior valor da série histórica, equivalente a uma economia média de R$ 3,1 mil por cooperado ao longo do ano. O impacto vai além das finanças. No mesmo período, mais de R$ 409 milhões foram investidos em iniciativas sociais e educacionais, alcançando diretamente mais de 600 mil crianças e adolescentes, um indicativo de como o modelo também se conecta ao desenvolvimento das comunidades onde atua. A expansão das cooperativas de crédito no Paraná ocorre paralelamente à redução de agências bancárias em municípios do interior. Nesse contexto, o modelo tem ampliado o acesso a serviços financeiros e contribuído para a movimentação econômica local. Cooperativas de crédito no Paraná Cobertura no estado*376 municípios atendidos (de 399)130 cidades com cooperativas como única instituição financeira presencial Estrutura e alcance*67 cooperativas4,1 milhões de associados23,7 mil empregos diretos1,3 mil pontos de atendimentoR$ 172,5 bilhões em ativos Impacto econômico**+5,6% no PIB per capita+6,2% no emprego formal+15,7% no número de empresas70 mil novos negócios278 mil empregos gerados Fontes:*Sistema Ocepar**FIPE/USP Denominação de Origem Conheça o mel raro do interior do Paraná que nasce de floradas especiais e tem sabor suave Imigração Curitiba é a nova Miami: capital paranaense é a que mais recebe cubanos do Brasil Paixão compartilhada Futebol ajuda imigrantes venezuelanos a reconstruir vínculos em Curitiba Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

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