A queda de uma das maiores araucárias do Brasil, em Caçador, no interior de Santa Catarina, levou uma equipe da Embrapa Florestas a mobilizar esforços para coleta de material genético desta gigante para tentar cloná-la. Conhecida como Pinheirão, a araucária era a quarta maior do pais, com 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro, conforme levantamentos do professor Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina. Não há dados precisos sobre sua idade nem confirmação exata de quando ocorreu a queda, mas estima-se que tenha acontecido nas ultimas semanas. A árvore estava localizada na Estação Experimental da Embrapa. No local, a equipe avaliou a existência de brotações viáveis para o resgate do material genético. O ideal é que a coleta seja feita de cinco a dez dias após a queda O material seguiu para enxertia em laboratório e deve levar cerca de cem dias para confirmação do sucesso do procedimento. Este material se encontra no alto, na copa da arvore e, em virtude de sua altura, o procedimento só seria possível por meio de escalada, o que era inviável numa árvore deste porte, segundo especialistas do Embrapa. A clonagem busca preservar e estudar características genéticas raras do exemplar, como sua altura e longevidade. Dificuldades para determinar a idade do Pinheirao A idade exata do Pinheirão nunca foi determinada com precisão. Seu tronco oco impedia a aplicação do método mais preciso conhecido, a dendrocronologia, que consiste na contagem dos anéis de crescimento formados ano a ano no interior do tronco. Em arvores integras e em pé, essa leitura pode ser feita com o uso de um “trado”, que retira uma amostra do lenho a partir do tronco, geralmente na altura do peito, em direção ao centro da arvore, onde estão os anéis mais antigos. Já em arvores caídas, é retirado um disco para realização da contagem. No caso do Pinheirão, a equipe, com orientação do técnico Arnaldo Soares, da Embrapa Florestas, também vai coletar, em breve, discos do tronco em uma região onde a madeira ainda esta integra, cerca de 5 metros de altura. Nesse caso, a contagem dos anéis pode ser feita diretamente, mas o resultado indicara apenas uma idade mínima da arvore. Foto: Katia Pichelli / DivulgaçãoArvore gigante era inspiração para pesquisadores Desde 2003, quando a equipe do Laboratório de Monitoramento da Embrapa Florestas, em parceria com professores e alunos da UFPR, iniciou a instalação de experimentos na Estação, o Pinheirão era frequentemente visitado. Devido a fragilidade observada no tronco, oco, optou-se por não se proceder a nenhuma investigação para determinar sua idade. Mesmo assim, serviu de inspiração para muitos de nossos trabalhos, como explicou a pesquisadora Maria Augusta Doetzer Rosot. Pesquisadores de varias instituições internacionais como FAO, Universidade Politécnica de Madri, Centro Agronômico de Investigação e Ensino e Rede Internacional de Bosques Modelo participaram de dias de campo na Estação, sendo a visita ao Pinheirão uma das partes mais esperadas da agenda. Para Anderson Feltrim, gerente da Epagri, instituição estadual parceira da Embrapa na estação experimental, “a mobilização atual reflete não apenas o valor cientifico da arvore, mas também o vinculo ao longo dos anos de todos nos que convivemos com ela. Assim que constatamos a queda, acionamos a Embrapa, pois entendemos o valor cientifico de estuda-la”. Situação semelhante já foi enfrentada anteriormente. Em Cruz Machado, no Paraná, uma araucária de grande porte também foi clonada após queda, em trabalho também conduzido pela Embrapa. A experiencia serve de referencia técnica para a operação atual em Caçador. Em estudo recente, o professor Scipioni, avaliou o impacto da mudança do clima na queda de árvores gigantes. O estudo investigou como o aumento das chuvas extremas no sul do Brasil esta provocando a queda de exemplares monumentais, como por exemplo a Araucaria angustifolia. “Avaliamos que o fator determinante para o tombamento não é o vento, mas sim a saturação do solo, que perde sua resistência e compromete a ancoragem das raízes”, explica o professor. Por meio de uma analise de eventos climáticos ocorridos em 2023, o estudo concluiu que o excesso de umidade transforma terrenos argilosos em superfícies instáveis para árvores de grande porte”. “O peso elevado e as copas largas dessas arvores centenárias as tornam particularmente vulneráveis a essas mudanças climáticas induzidas pelo El Nino”, explica Scipioni. Diante desse cenário, são necessárias estratégias de conservação e monitoramento proativo para proteger esse patrimônio ecológico e cultural. Últimos registros fotográficos antes da queda O fotógrafo Zé Paiva e o cinegrafista Gustavo Fonseca foram os últimos a fazer registros oficiais do Pinheirão quando ele ainda estava em pe. Em novembro de 2025, eles estiveram no local para produzir imagens para o projeto Reinvenção da Natureza, do SESC. “É muito forte a sensação de sermos os últimos fotógrafos documentando essa arvore tão impressionante, sentir a força da natureza na árvore, mas também o impacto de ver a finitude da vida e que a vida esta sempre se renovando”, disse Zé Paiva. [embedded content] Denominação de Origem Conheça o mel raro do interior do Paraná que nasce de floradas especiais e tem sabor suave Imigração Curitiba é a nova Miami: capital paranaense é a que mais recebe cubanos do Brasil Paixão compartilhada Futebol ajuda imigrantes venezuelanos a reconstruir vínculos em Curitiba Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google