Presidente participou da abertura do Fórum, em Brasília, e destacou a expansão da cooperação acadêmica, científica e tecnológica entre os dois continentesO presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira, 25 de maio, da abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África. O encontro tem o objetivo de consolidar a educação superior como eixo central da relação bilateral entre o Brasil e os países do continente africano.
O dia de hoje é um chamado à ação para renovar uma parceria baseada em respeito mútuo, solidariedade, inovação e visão de futuro. Brasil e África têm muito a construir juntos”, declarou Lula.
Em seu discurso, o presidente defendeu o fortalecimento da cooperação universitária entre Brasil e África. O encontro reúne 70 reitores brasileiros e 64 reitores africanos de mais de 30 países e marca uma nova etapa nas relações acadêmicas, científicas e tecnológicas entre os dois continentes.
“Este primeiro Fórum Brasil-África de Reitores, que se inicia hoje, é um passo para fortalecer e expandir nossa cooperação universitária. Esta iniciativa é um convite a olhar para o futuro e reconhecer a centralidade desse continente para o mundo”, disse Lula.
INTERCÂMBIO — No campo da cooperação acadêmica, o presidente destacou a ampliação de iniciativas voltadas ao intercâmbio universitário. Durante a cerimônia, foi assinado o Termo de Compromisso do programa Capes-Move África, que criará 2.600 bolsas para estudantes africanos de mestrado e doutorado realizarem intercâmbio no Brasil por até dez meses.
O programa é uma iniciativa de cooperação educacional do Governo do Brasil, com investimento de R$ 47,4 milhões. Serão oferecidas 1.600 bolsas de mestrado-sanduíche e 1 mil bolsas de doutorado-sanduíche em universidades brasileiras a partir de 2027.
“A cooperação educacional entre países do Sul Global pode transformar a realidade. Já possuímos uma base bastante sólida. Estão em vigor 235 acordos entre universidades brasileiras e africanas, abrangendo 38 países do continente. Podemos dar um passo além, desenvolvendo o conceito de universidades-irmãs para ampliar a colaboração acadêmica, estimular a mobilidade estudantil e aprofundar parcerias”, afirmou Lula.
O presidente também defendeu o fortalecimento do ensino a distância como ferramenta de integração acadêmica. “O Brasil possui um dos maiores sistemas de ensino a distância do mundo e pode multiplicar o intercâmbio acadêmico sem deslocamento geográfico ou custos para os alunos. Já oferecemos várias disciplinas para estudantes de Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe”, disse.
O Brasil tem um compromisso histórico com a África. Um compromisso com a nossa história, nossa cultura e nossas raízes. Fortalecer os laços entre Brasil e África seguirá sendo prioridade para o Brasil. pic.twitter.com/QxDjDIfk2H
— Lula (@LulaOficial) May 25, 2026
SEGURANÇA ALIMENTAR — O presidente também citou temas como segurança alimentar, meio ambiente, desenvolvimento sustentável e ciência. Ele ressaltou o papel das universidades públicas brasileiras na transformação do país em uma potência agrícola e a atuação da Embrapa em parceria com países africanos para capacitação técnica.
“A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20, também aponta para soluções concretas, adaptadas à realidade dos países em desenvolvimento. Dos 54 países africanos, 26 já são membros, além da União Africana, do Banco Africano de Desenvolvimento e da Agência da União Africana para o Desenvolvimento”, destacou Lula.
FÓRUM — O evento é promovido pelo Ministério da Educação (MEC), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), com o apoio do Instituto Guimarães Rosa (IGR) do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Durante a cerimônia de abertura, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, ressaltou a presença africana nos espaços de decisão global e destacou as iniciativas voltadas ao fortalecimento das relações educacionais e culturais entre os países do Sul Global.
“O continente africano desempenha um papel central na história da humanidade e tem relevância expressiva no comércio global. Quanto mais diversos forem os estudantes e professores, mais promissores serão os resultados. Por isso criamos o Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbios Sul-Sul que já passou por diversos países da África e da América Latina, promovendo troca de tecnologias e saberes”, exemplificou a ministra.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou os avanços promovidos nas últimas décadas na expansão do ensino superior brasileiro, com a criação de universidades e institutos federais, ampliação dos cursos e programas de acesso à educação, como o Prouni e o Reuni.
“A relação do Brasil com os países aqui representados pelos reitores vem de séculos. São inúmeras as diásporas do Brasil, mas ressalto a importância das mãos africanas na construção do nosso país. Por isso, fazer do Brasil um país mais digno e mais acolhedor para quem faz parte de nossa história é nossa missão inegociável. Este Fórum é a expressão do nosso desejo brasilero e africano de união e cooperação do Sul Global”, ressaltou Barchini.
Já Marcos Vinicius David, secretário Nacional de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), afirmou que o encontro representa uma resposta baseada no diálogo, no conhecimento e na cooperação. “O encontro da educação, de reitores e reitoras, é um contraponto a um mundo de violência, quando nós dizemos que queremos um mundo de cooperação, de amizade, intercâmbio e de conhecimento. E é esse o nosso desafio”, disse.
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL – O encontro segue até quarta-feira (27) e reúne líderes de universidades brasileiras e africanas, mobilizadas pela Association of African Universities (AAU), com o objetivo de fortalecer a cooperação internacional. Atualmente, o Brasil possui 235 acordos de cooperação com instituições de educação superior de 38 países africanos. Por meio do MEC, o Brasil busca aprofundar essas relações e vê o evento como uma oportunidade de intercâmbio entre as universidades federais e suas parceiras no continente africano.
O fórum tem como proposta ampliar as relações acadêmicas entre Brasil e África, promovendo novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.
Astrigilda Silveira, reitora da Universidade de Cabo Verde, acrescentou que o Fórum representa um marco para a construção de soluções conjuntas entre Brasil e África por meio da educação e agradeceu ao governo brasileiro pela realização do encontro.
“Participar deste 1º Fórum de Reitores Brasil-África é testemunhar um encontro de futuro entre povos que reconhecem na educação uma das maiores forças de transformação das nossas sociedades. Quero agradecer ao governo brasileiro por esta oportunidade e regozijar pela visão e capacidade de reunir, neste momento histórico, universidades que acreditam que o conhecimento aproxima continentes, cria oportunidades e impulsiona soluções para os desafios do nosso tempo”, registrou a reitora.
COMPROMISSO — A reitora da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, Georgina dos Santos, destacou o compromisso das universidades brasileiras com a construção de redes de cooperação internacional. “As universidades federais brasileiras se comprometem com a celebração de parcerias e redes que possam afrontar os problemas e questões que afligem o nosso povo, reconhecendo, trocando e construindo formação técnica e conhecimentos que sejam capazes de contribuir com soluções e novos olhares sobre os velhos problemas”, disse.
Olusola Oyewle, secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, agradeceu a cooperação entre os dois países e ressaltou o papel das universidades no enfrentamento de desafios sociais e econômicos no continente africano. “A África enfrenta vários desafios, questões de saúde, clima, insegurança alimentar. Acreditamos que, quando estamos desenvolvendo as nossas universidades, desenvolvemos o continente africano. Agradecemos a colaboração do Brasil com a África. Acredito que este evento vai fazer com que a gente avance ainda mais nessa cooperação entre nós”, afirmou Oyewle.
PROGRAMAÇÃO – A programação do Fórum inclui painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões focadas na construção de novas parcerias universitárias. A ideia é que o fórum seja uma plataforma estratégica para ampliar as oportunidades de integração acadêmica, científica e tecnológica entre os países. Confira a programação completa na página do evento.
Ao final do evento, os resultados e compromissos construídos serão formalizados na “Carta de Brasília do 1º Fórum de Reitores Brasil-África”, um documento-chave que guiará os próximos passos da cooperação bilateral.