O governo federal estuda como reagir ao tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país. A medida foi confirmada na noite desta quarta-feira (15) pelo governo norte-americano. As informações são da Gazeta do Povo. Entre as principais ações avaliadas estão o acionamento da Lei da Reciprocidade, a criação de auxílios para setores mais afetados e a negociação de uma lista ampliada de exceções com o governo de Donald Trump. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo precisa examinar a base das tarifas antes de reagir. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que os setores afetados serão chamados para dialogar sobre possíveis auxílios. Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, o tarifaço se baseia em seis pontos: funcionamento do Pix, acordos tarifários com outros países, barreiras ao etanol americano, desmatamento ilegal, falhas no combate à pirataria e impunidade em casos de corrupção. O tarifaço se soma a outras taxações sobre aço, alumínio, cobre, madeira, automóveis e autopeças, que entraram em vigor ao longo de 2025. Há ainda uma taxação adicional de 10% aplicada globalmente, que vence no dia 24 deste mês e depende de autorização do Congresso americano para ser renovada. Durigan informou que está em estudo uma medida provisória para socorrer empresas brasileiras. Primeiro, será feita uma rodada de conversas com os setores afetados para entender o impacto real das tarifas. O ministro ressaltou que as ações serão tomadas com cautela. Um obstáculo é o defeso eleitoral, restrição que limita a distribuição de benefícios e impõe desafios à aplicação imediata das medidas. O governo também avalia aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada no ano passado, que permite ao Brasil impor alíquotas recírocas em resposta ao tarifaço. Durigan disse que é provável a retomada do processo de reciprocidade após consulta ao presidente Lula. Porém, a aplicação não é automática e exige mecanismos técnicos, jurídicos e diplomáticos prévios, incluindo tentativas de negociação e consulta aos setores afetados. As regras do Mercosul também impõem limitações à autonomia brasileira em política comercial. Outra estratégia é negociar com os Estados Unidos uma extensão da lista de exceção de produtos ao tarifaço. A mesma tática foi usada após o anúncio do tarifaço americano no final de julho do ano passado e resultou na redução da lista de produtos atingidos. Aquele tarifaço valeu até fevereiro deste ano, quando a Suprema Corte o suspendeu por falta de autorização prévia do Congresso norte-americano. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google