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Paranaense de 17 anos vence 965 mil competidores e vai representar Brasil em Olimpíada de IA

1 de agosto de 2026
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O interesse de Rafael da Silva Pulcinelli por tecnologia não nasceu em uma sala de aula, mas em frente à tela jogando Minecraft, por volta dos 8 anos de idade. Hoje, aos 17, o estudante de Santa Amélia, no Norte Pioneiro do Paraná, se prepara para embarcar rumo a Astana, capital do Cazaquistão, onde vai representar o Brasil na 3ª Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial (IOAI), entre os dias 2 e 8 de agosto — sua primeira viagem para fora do país. A trajetória de Rafael até a seleção nacional passou por caminhos pouco convencionais. Durante a pandemia, aprendeu design por conta própria e chegou a abrir uma pequena gráfica na cidade, onde soma apenas 3 mil habitantes. “Eu tinha que aprender a mexer com muitas coisas, porque quando a gente vai fazer a marca de alguém, você tem que pesquisar muito”, relembra. O primeiro contato mais técnico com programação veio no primeiro ano do Ensino Médio, no Colégio Estadual Vinícius de Morais, com a disciplina de Pensamento Computacional. Foi ali, segundo ele, que o interesse por tecnologia se consolidou de forma definitiva. Sem disciplinas voltadas à área nos anos seguintes — sua turma havia optado pela ênfase em humanas —, Rafael e dois colegas, Emanuel e Eduardo, foram atrás de um professor em contraturno para seguir desenvolvendo projetos. Da parceria nasceu a Horta Link, sistema de irrigação autônoma que rendeu ao trio o segundo lugar na categoria Robótica Sênior da GeniusCon e destaque na edição 2025 do Agrinho Robótica. Depois vieram outros títulos: medalha de ouro na Maratona Tech, maior competição de tecnologia entre escolas do país, e uma vaga entre os 20 jovens empreendedores do Brasil no programa Escalada Sebrae. O ponto alto da trajetória, porém, veio no fim de 2025, com a disputa da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA). Depois de oito meses de avaliações presenciais e on-line ao longo de quatro fases, Rafael conquistou a medalha de ouro e a vaga na equipe brasileira para a IOAI, entre mais de 965 mil participantes de todo o país. Ele integra a delegação nacional ao lado de outros três estudantes, dois do Rio Grande do Sul e um de São Paulo. Rafael da Silva Pulcinelli, vai para o Cazaquistão para participar da IOAI. / Crédito: Wesley Karel.Ao lado da trajetória acadêmica, Rafael também se envolveu em um projeto social de documentação da língua nheva, falada por uma comunidade indígena, experiência que, segundo ele, ampliou sua visão sobre desigualdades. “Eu vi que eu ficava numa bolha muito pequena. A gente não abre a visão para o mundo para ver as dificuldades que as pessoas têm”, avalia. Para o estudante, a divulgação de oportunidades como essas ainda é um desafio nas escolas públicas do interior. “Eu acredito que nunca uma equipe da minha escola tinha ido para Curitiba, fazia muito mais de 15 anos. As pessoas perdem a inspiração de entrar e fazer parte desse projeto porque não é fácil.” Hoje cursando Engenharia da Computação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Cornélio Procópio, Rafael já projeta o próximo passo: um mestrado e doutorado em neurotecnologia, área que une suas duas paixões, tecnologia e comportamento humano. Para a viagem ao Cazaquistão, ele reconhece o ineditismo da experiência, inclusive no idioma. “Eu sou intermediário em Inglês, não sou fluente ainda, mas consigo entender bem”, conta. Mesmo com o nervosismo natural da estreia internacional, o estudante resume a expectativa em uma frase: “O sentimento é uma mistura de animação com nervosismo, mas acredito que vai ser uma ótima experiência.” “A gente costuma falar apenas das vitórias, mas eu também perdi muita coisa e não fui classificado em tudo o que queria. Mas são justamente as pequenas conquistas no meio do caminho que nos impulsionam. A mensagem que deixo é: busque ser 1% melhor a cada dia. Hoje as pessoas não têm paciência e querem resultados imediatos, mas não existe receita pronta. Se você se dedicar um pouco todos os dias, a conta fecha e os frutos chegam.”, finaliza Pulcinelli. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

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