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Carros elétricos criam desafio fiscal para manutenção de estradas

27 de agosto de 2026
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O avanço dos carros elétricos no Brasil cria um desafio fiscal para a manutenção das estradas. Com o aumento da frota eletrificada, a arrecadação sobre combustíveis diminui, enquanto os veículos ficam mais pesados e desgastam o pavimento. A questão é: quem deve pagar pela infraestrutura viária? As informações são da Gazeta do Povo. Historicamente, parte dos recursos para transporte e infraestrutura viária vem da tributação sobre combustíveis. Veículos elétricos não consomem gasolina ou diesel e, por isso, não pagam essas mesmas cobranças. Isso cria um problema de longo prazo para manter as ruas e estradas em boas condições. Outros países já estudam alternativas de cobrança A questão já aparece em outros países. Na China, o governo estuda alternativas para financiar a restauração do pavimento. Segundo a Associação de Automóveis de Passeio da China, 60% dos veículos novos lançados no primeiro semestre deste ano têm mais de cinco metros de extensão. Como parte dos recursos para conservação das vias chinesas vem dos tributos sobre combustíveis, a expansão dos veículos elétricos reduz essa fonte de receita. No Reino Unido, o governo trabalha com mudanças na tributação de veículos diante da redução da arrecadação com combustíveis fósseis. Na Holanda, há estudos para substituir a cobrança fixa anual pela propriedade do veículo por um modelo baseado na quilometragem percorrida, com previsão para a próxima década. A Alemanha já possui um sistema de cobrança para veículos pesados que considera eixos e emissões. Peso e quilometragem podem definir nova cobrança no Brasil Para o advogado tributarista Fabiano Bettega, uma eventual cobrança não deveria ser direcionada apenas aos carros elétricos. O desgaste provocado pelo tráfego está relacionado principalmente ao peso e à quilometragem percorrida, não ao tipo de motorização. Para ele, um eventual modelo deveria considerar peso e quilometragem de forma igual para toda a frota. Há, porém, uma barreira jurídica: impostos não podem ter sua arrecadação vinculada a uma finalidade específica. Por isso, criar um imposto exclusivo para carros elétricos e destinar sua receita à manutenção das estradas não seria simples. Uma alternativa seria recalibrar o próprio IPVA. Atualmente alguns estados concedem isenções ou descontos para veículos elétricos, mas esses benefícios podem ser revistos à medida que a frota cresce. Rodrigo Leandro, professor de Engenharia Civil da Universidade Federal de Uberlândia e especialista em pavimentação asfáltica, explica que o peso total não é suficiente para determinar o desgaste do pavimento. Fatores como a carga por eixo, a pressão dos pneus, a área de contato com o asfalto, o número de rodas e a forma como o peso é distribuído também interferem. Um levantamento do Google Trends mostra que as buscas por veículo elétrico dispararam no Brasil a partir de janeiro de 2025, coincidindo com o avanço da oferta de veículos eletrificados no mercado. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

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