Principal financiadora da ferrovia por meio do FDNE, autarquia acompanha visita presidencial que marca o avanço de um dos maiores projetos de infraestrutura logística do País. Criada em 1959, Sudene foi durante décadas associada à tragédia das secasDurante visita ao canteiro de obras da Ferrovia Transnordestina, nesta quinta-feira (2), presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o aporte de mais R$ 600 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Sudene, para o empreendimento. Ele destacou a importância estratégica da obra para ampliar a competitividade da economia nordestina, reduzir custos logísticos e fortalecer a integração da região aos mercados nacional e internacional. O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, acompanhou a agenda presidencial no Ceará, que também marcou a entrega dos lotes 4 e 5 da ferrovia, entre os municípios de Acopiara, Piquet Carneiro e Quixeramobim, além do lançamento das obras do lote 6, que ligará Quixeramobim a Quixadá. A nova etapa representa mais um avanço na implantação de uma infraestrutura capaz de transformar a logística regional e impulsionar o desenvolvimento econômico do Nordeste. A participação da Sudene (Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste) tem sido decisiva para garantir o ritmo das obras. Até 2027, estão previstos investimentos de R$ 7,4 bilhões por meio do FDNE, dos quais R$ 6,4 bilhões já foram liberados, incluindo o anúncio de hoje. Também foram liberados R$ 800 milhões provenientes do antigo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor). Além de assegurar os recursos necessários à execução do projeto, a Autarquia integra a governança da Transnordestina Logística S.A. na condição de acionista. A Transnordestina possui orçamento estimado em R$ 15 bilhões e previsão de conclusão em 2029. Atualmente, a primeira fase da obra alcança 82% de execução, com expectativa de conclusão em 2027. Cerca de cinco mil trabalhadores atuam direta e indiretamente no empreendimento, que mantém diversas frentes de serviço em municípios cearenses.
A Sudene foi criada em 1959 pelo então presidente Juscelino Kubitschek, com o objetivo de promover o desenvolvimento da região Nordeste. A entrada em atividade da autarquia federal sucedeu a grande seca do ano anterior. Desde então, a sigla Sudene foi muitas vezes associada ao enfrentamento das persistentes secas na região.Segundo o Atlas Histórico da FGV, “histórica e politicamente, a criação da Sudene foi o resultado da percepção do aguçamento das diferenças entre o Nordeste e o chamado Centro-Sul do Brasil — o triângulo São Paulo-Rio-Minas — a partir da industrialização deste último. A historiografia oficial da própria Sudene põe ênfase nas causas imediatas — a seca de 1958 e suas conseqüências: desemprego rural e êxodo — e toma como ‘causas históricas’ a própria ideologia do órgão: o fato de que o aguçamento das diferenças regionais indicava o planejamento como o único caminho para promover o desenvolvimento”.
“Estamos garantindo a continuidade de uma obra que transforma a logística do Ceará e de todo o Nordeste, com geração de emprego, aumento de renda e fortalecimento da economia regional”, destacou o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre. Para o gestor, cada etapa concluída da Transnordestina representa um avanço na estratégia de desenvolvimento regional conduzida pelo Governo Federal, tendo a Sudene como um dos principais instrumentos de financiamento dos investimentos estruturantes.
Leia também:Ferrovia Trasnordestina avança e Lula entrega novas obras e anuncia mais R$ 600 milhões
O diretor de Gestão de Fundos e Incentivos Fiscais da Sudene, Wandemberg Almeida, reforça que a Transnordestina simboliza uma nova perspectiva para o desenvolvimento do Nordeste. “O compromisso da Sudene, por meio do FDNE, é garantir que investimentos estruturantes como este saiam do papel e produzam resultados concretos para a população. Estamos falando de uma ferrovia que reduzirá custos logísticos, ampliará a competitividade das empresas nordestinas, atrairá novos investimentos e fortalecerá cadeias produtivas essenciais para o crescimento da região.”, afirmou. O empreendimento é considerado um dos mais relevantes projetos de infraestrutura logística da América do Sul. Quando concluída, a ferrovia permitirá uma ligação mais eficiente entre importantes polos produtores do Nordeste, incluindo o Matopiba, e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, ampliando a capacidade de escoamento da produção mineral, agropecuária e industrial.