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Cidade no Paraná fabrica 80% de todos os bonés do Brasil; e quer mais

30 de maio de 2026
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Apucarana, no Vale do Ivaí, iniciou oficialmente neste mês o processo de busca de Indicação Geográfica (IG) do boné, produto principal da indústria e, consequentemente, gerador de empregos do município. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae/PR) e a Prefeitura assinaram, no dia 11, o contrato que formaliza o estudo e prospecção do selo que visa garantir a padronização da qualidade do acessório apucaranense. “A expectativa é que até o final do ano pelo menos 60 fábricas, 10% do da indústria boneleira da cidade, iniciem os treinamentos e a metodologia necessária para a conquista do selo que irá garantir a qualidade e a procedência do produto. Concluída esta etapa, devemos fazer o depósito do pedido de IG que será analisado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em até dois anos”, diz o consultor do Sebrae/PR, Tiago Cunha. O processo ainda inclui a abertura de 240 vagas em cursos profissionalizantes em parceria com o Senai. Conforme a Prefeitura, serão investidos aproximadamente R$120 mil para formar mão de obra especializada com foco na qualidade exigida por um selo de Indicação Geográfica. IG de produto industrializado O município já conta com uma IG: o Café Serra de Apucarana, conquistado no início do ano. “A grande diferença de uma IG aplicada a um produto industrializado está justamente no reconhecimento de que o território também pode gerar valor na indústria, e não apenas em produtos in natura. Normalmente, associamos IGs a vinhos, cafés ou queijos porque esses produtos carregam características naturais do solo, clima e tradição local. Porém, no caso de um produto industrializado, o diferencial está no saber-fazer coletivo, na especialização produtiva construída ao longo do tempo e na identidade econômica e cultural daquele território”, pontua o consultor do Sebrae/PR. No caso de Apucarana, por exemplo, a produção de bonés desenvolveu uma expertise única ao longo de décadas, segundo o entrevistado. Existe um ecossistema produtivo consolidado, formado por empresas, fornecedores, mão de obra especializada, entidades de apoio e uma cultura empreendedora voltada ao setor. “Isso faz com que o produto carregue características próprias de qualidade, inovação, design, capacidade produtiva e reputação construída nacionalmente. Ou seja, o valor não vem apenas da matéria-prima, mas do conhecimento acumulado e da capacidade industrial instalada naquele território”, explica. Para o consultor, a IG de um produto industrializado também tem um papel estratégico importante: ela fortalece a marca coletiva da região, amplia competitividade, gera diferenciação no mercado e protege a origem produtiva contra usos indevidos. “Além disso, ajuda a posicionar o território como referência nacional e internacional naquele segmento, agregando valor econômico, fortalecendo empresas locais e estimulando inovação, turismo de negócios e desenvolvimento regional”, comenta. O prefeito Rodolfo Mota enalteceu que a conquista do selo deverá aumentar o reconhecimento e a competitividade do boné apucaranense e conquistar, também, mercados externos como Europa, Estados Unidos e América Latina. “Apucarana tem essa vocação com boné, com a confecção, é o maior polo de confecção do estado do Paraná, capital nacional do boné. Uma certificação de Indicação Geográfica abre muitas portas e ajuda no valor agregado do produto. Se a gente vende mais boné e vende boné mais caro, isso ajuda todo mundo. Ajuda o patrão, ajuda a costureira e ajuda a economia da cidade a se desenvolver”, completou. Foto: Geraldo Bubniak/AENElizabete Ardigo, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (SIVALE), considera que a cidade de Apucarana viveu um momento histórico para a indústria da confecção com a assinatura oficial do contrato para a estruturação da Indicação Geográfica dos Bonés. “A iniciativa demonstra o reconhecimento do poder público sobre a importância estratégica do setor para o desenvolvimento econômico do município”, enaltece. A construção da IG é resultado de um trabalho coletivo que envolve Prefeitura de Apucarana, SIVALE, APL de Bonés e empresários do setor que, há décadas ajudam a consolidar a cidade como a Capital Nacional do Boné, conta a presidente do Sivale. “Com a IG, o setor ganha ainda mais proteção, competitividade e valorização de mercado, fortalecendo a identidade de um segmento que gera empregos, movimenta a economia e projeta o nome de Apucarana para todo o Brasil”, acrescentou. Jayme Leonel, presidente do Arranjo Produtivo Local de Bonés e Confecções de Apucarana e também diretor do SIVALE, destaca que Apucarana é o maior polo produtor de bonés do país. “Nós produzimos cerca de 3 a 4 milhões de bonés/mês, dependendo da época do ano”, relata. “A IG vai melhorar, ampliar a qualidade, fazer com que mais pessoas se interessem em fazer produtos de boa qualidade, que nós já temos também. Vai ser uma marca de referência para o nosso produto, e também abrir um pouco o mercado para o mercado exterior”, detalha.   Próximos passos para reconhecimento dos bonés de Apucarana O consultor do Sebrae, Tiago Cunha explicou que o processo de construção de uma Indicação Geográfica é bastante amplo e envolve muito mais do que apenas o reconhecimento formal de um produto. Ele exige organização setorial, governança, padronização, construção de identidade territorial e comprovação técnica da reputação daquele território em relação ao produto. No caso de um produto industrializado, como o boné de Apucarana, isso se torna ainda mais estratégico, porque demonstra que o território desenvolveu competências produtivas únicas ao longo do tempo. “O primeiro passo normalmente é o reconhecimento coletivo da vocação regional. Isso significa identificar que existe uma concentração produtiva relevante, uma reputação consolidada e características que diferenciam aquele produto no mercado. A partir disso, inicia-se um processo de mobilização das empresas, entidades e lideranças locais para construir uma governança capaz de conduzir o projeto. Nesse contexto, entidades como SIVALE, APL de Bonés, Prefeitura de Apucarana, empresários do setor e Sebrae possuem papel fundamental”, diz. Na sequência, é realizado um amplo levantamento técnico e histórico do território. São produzidos estudos que demonstram a relação entre o produto e a região, evidenciando fatores como tradição produtiva, geração de empregos, especialização da mão de obra, desenvolvimento tecnológico, identidade econômica local e reconhecimento do mercado. Além disso, são definidos critérios técnicos e padrões de produção que irão garantir a autenticidade e a qualidade do produto reconhecido pela IG. “Outro passo importante é a estruturação do regulamento de uso da Indicação Geográfica. Esse documento estabelece regras claras sobre quem poderá utilizar o selo, quais critérios precisam ser atendidos e quais padrões deverão ser mantidos pelas empresas participantes. Isso é essencial para garantir credibilidade ao processo e preservar a reputação coletiva construída pelo território”, conclui. A capital do boné Foto: Geraldo Bubniak/AENApucarana é reconhecida oficialmente como a “Capital Nacional do Boné” a partir da Lei Federal nº 12.285/2010. O município concentra mais de 600 indústrias boneleiras e é responsável pela fabricação de 80% desses acessórios no mercado interno brasileiro, de acordo com Arranjo Produtivo Local (APL) de Bonés e Vestuário de Apucarana. A maioria das indústrias é de pequeno porte, segundo informa o Sebrae/PR. Ainda assim, o setor gera 7 mil empregos diretos e 9 mil indiretos, e é uma das principais atividades econômicas locais, atrás somente do setor de serviços. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cadeia produtiva dos bonés representa cerca 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Apucarana, com a geração de R$300 milhões anuais. Os bonés produzidos em Apucarana tornaram-se uma das marcas registradas locais a partir da década de 1970. No início, a atividade acontecia em pequena escala com a produção artesanal. No entanto, a demanda crescente pelo produto fez com que a produção aumentasse e se profissionalizasse com o passar dos anos. A partir dos anos 1990, a indústria apucaranense de bonés passou por um processo de modernização e expansão. O município atraiu investimentos e desenvolveu uma infraestrutura adequada para acomodar a produção em larga escala. Soma-se o fato de que as fábricas começaram a adotar novas tecnologias e processos de produção mais eficientes. Atualmente, as indústrias locais são as únicas responsáveis pela fabricação de  marcas como Carmim, John John, Osklen, Levi ‘s,Colcci, Cavalera, Coca Cola, Ellus e Fórum. Projeto Bonetizando Desde 2024, Apucarana desenvolve o Projeto Bonetizando, iniciativa que nasceu da parceria entre Sebrae/PR e APL de Bonés com o objetivo de fomentar a cultura empreendedora e valorizar a história e a importância do setor responsável por movimentar a economia local. O Bonetizando movimenta as indústrias de confecção de roupas e bonés com visitas de alunos do terceiro ano do ensino fundamental da rede municipal de ensino para conhecer o processo produtivo no interior das indústrias. Entrevista “Nunca imaginei viver mais de 30 anos”, Renato Freitas relembra infância e comenta vida política Tribuna Entrevista “Eu não costumo tirar segundo lugar”, diz Rafael Greca, pré-candidato ao governo do Paraná Cafeicultura Paraná mira em cafés especiais para recuperar relevância após Geada Negra Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

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