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Nacional

Criança quilombola tem primeiro contato com computador na Paraíba

6 de março de 2026
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No pequeno Quilombo do Mituaçu, no município do Conde (PB), um gesto simples virou símbolo de futuro. Sentada diante de um computador pela primeira vez, a pequena Kethilyn Vitória, de 8 anos, olhava curiosa para o teclado. Questionada se estava feliz com a chegada das máquinas ao seu território, respondeu com espontaneidade:

Eu gostei porque será bom para os meus dedinhos”, respondeu, ainda tímida, sentada diante do computador

A frase arrancou sorrisos de quem acompanhava a inauguração do novo laboratório de informática popular, fruto de uma parceria entre o Ministério das Comunicações e a Fundação Cultural Palmares.
Kethilyn Vitória precisou de pouco tempo para se permitir usar os “dedinhos” e digitar as primeiras letras no teclado. Sozinha, começou a buscar, letra por letra, as letras do próprio nome. No primeiro momento, a tarefa não foi das mais fáceis. A pequena logo percebeu que o “k” e o “e” não estavam tão pertinhos, mas identificou rápido o “t” e o “h”. Após escrever o primeiro nome, a alegria já tinha tomado conta da criança, e a timidez foi ficando para trás.

Eu senti agonia, mas é bom para meus dedinhos malharem. Será bom, vai até engordar meus dedinhos porque eles vão ficar malhando”, brincou, agora aos risos

O que parecia apenas uma cena delicada de infância representa algo maior: o primeiro passo no processo de letramento digital em uma comunidade quilombola.
Ao saber da história de Kethilyn, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou a importância de ampliar o acesso à tecnologia desde a infância.

Sem inclusão digital não é possível falar em igualdade de oportunidades. Como uma criança sem conhecimentos básicos de internet vai se preparar para o mercado de trabalho no futuro? Que cada laboratório de informática construído por meio do programa seja uma janela aberta para que as pessoas sejam donas do próprio futuro”, afirmou

Por meio do Programa Cultura Conectada e do Eixo Afro-Digital, que promovem a democratização tecnológica, foram entregues os equipamentos do novo laboratório de informática da comunidade remanescente de quilombo de Mituaçu. A unidade, viabilizada no final de fevereiro, é fruto de uma cooperação estratégica entre o Ministério das Comunicações e a Fundação Cultural Palmares. Ao todo, 15 computadores recondicionados foram destinados ao espaço através do programa Computadores para Inclusão, iniciativa que prioriza o letramento digital em localidades descentralizadas e com acesso restrito às novas tecnologias.
Ao destacar a relevância da chegada desses recursos às populações quilombolas do país, o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues pontua:

Os quilombos do Brasil são a história brasileira mais profunda. É gente que manteve a terra, manteve a cultura, a religiosidade, a espiritualidade e mantém a resistência ativa do movimento negro brasileiro por meio da inclusão digital do Programa Cultura Conectada e Eixo Afro-Digital ”.

Para um computador chegar a um território quilombola como o do Mituaçu, ele passa por um processo reconhecido nacionalmente. O Computadores para Inclusão tem diversas parcerias com bancos, órgãos públicos e tribunais de Justiça para o desfazimento das máquinas quando elas não são mais utilizadas por seus profissionais. Esses equipamentos são recolhidos pelos Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs) do Ministério das Comunicações, espalhados pelo Brasil. São nos CRCs que a população de baixa renda, inscrita em cursos de informática e manutenção de eletrônicos, aprende, na prática, a dar vida nova aos computadores. Os alunos montam computadores recondicionados, realizando ajustes e limpeza de peças, que posteriormente são doados a quilombos, áreas rurais, aldeias indígenas, escolas públicas e associações com projetos sociais.
O Programa Computadores para Inclusão também se preocupa com práticas adequadas no tratamento dos resíduos eletrônicos. Todas as peças não reaproveitadas na montagem de um “novo” computador são destinadas, pelos CRCs, a empresas parceiras, referência em descarte ambientalmente correto.

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