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Nacional

Em cúpula no Paraguai, Lula defende Mercosul como bloco estratégico acima de polarizações

30 de junho de 2026
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Presidente brasileiro defendeu o fortalecimento da integração regional, destacou a importância do diálogo entre os países e pediu união para ampliar a cooperação, independentemente das ideologiasAo discursar nesta terça-feira (30/6) em Assunção, no Paraguai, durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que a importância do bloco para o continente vai além de sua posição econômica. “Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica. O Mercosul permanece como o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada”, afirmou o líder brasileiro.
Lula destacou a importância do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), instrumento criado para reduzir desigualdades entre os países do bloco por meio do financiamento de obras de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e projetos sociais. “O Mercosul precisa fazer diferença na vida das pessoas. Desde sua criação, o Focem já financiou mais de mil quilômetros de rodovias, 680 quilômetros de ferrovias, 750 quilômetros de linhas de transmissão elétrica, 100 quilômetros de redes de saneamento básico. Estamos prontos para lançar o Focem-II e aumentar a contribuição brasileira, com aporte de 100 milhões de dólares anuais ao longo de uma década”, afirmou.

Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica. O Mercosul permanece como o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada”

O encontro em Assunção reúne líderes dos países membros e associados do bloco para discutir medidas de aprofundamento da integração regional, fortalecimento do comércio, agenda social e desenvolvimento. Ao frisar que o Mercosul contrariou as expectativas de quem acreditava que o acordo com a União Europeia jamais sairia do papel, Lula apresentou números que evidenciam a importância do bloco para a região.
“Desde sua criação, o comércio entre nós (do Mercosul) passou de 4,5 bilhões de dólares, em 1991, para mais de 50 bilhões em 2025. No ano passado, nosso intercâmbio com o resto do mundo cresceu mais de 6% em relação a 2024 e alcançou quase 760 bilhões de dólares, com exportações superiores a 400 bilhões. Voltamos a olhar para o mundo com ambição”, destacou o presidente brasileiro.
SOLIDARIEDADE – Antes de discursar, Lula pediu um minuto de silêncio pelas vítimas do terremoto na Venezuela. “Gostaria de reiterar minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis causadas pelos terremotos da semana passada. Tragédias como essa convidam a uma reflexão sobre a importância da solidariedade e da cooperação regionais”, declarou.
COORDENAÇÃO REGIONAL – Ao reforçar que os países sul-americanos precisam se preparar para enfrentar os desafios futuros, entre eles as prováveis consequências do El Niño, Lula defendeu que o Mercosul trabalhe sem se deixar levar por posições ideológicas. “A Organização Meteorológica Mundial já alerta sobre a necessidade de preparação para um El Niño que agravará secas, provocará chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor. Nossos países sofreram as consequências nefastas desse fenômeno em 2023. O projeto de integração sul-americano deve estar acima de ideologias. A crise climática, a transição energética, a transformação digital, o enfrentamento ao crime organizado transnacional e a promoção da saúde exigem uma capacidade de coordenação regional sem precedentes.”
ENERGIA E MINERAIS CRÍTICOS – O líder brasileiro também ressaltou a importância de os países do Mercosul estarem atentos a dois temas fundamentais na geopolítica atual: energia e minerais críticos. “Nosso bloco está na vanguarda da transição energética global. Somos detentores de uma matriz elétrica limpa e a geração eólica e solar cresce exponencialmente. Reunimos condições únicas para o desenvolvimento de combustível sustentável de aviação e de hidrogênio verde. Avançar na integração elétrica e gasífera é essencial para garantir complementaridade entre diferentes fontes e aprimorar nossa resiliência energética”, afirmou Lula.
“Possuímos reservas abundantes de minerais críticos, ativos indispensáveis para a descarbonização e a revolução digital. Desenvolver cadeias regionais que incluam etapas de maior valor agregado é uma questão de segurança nacional e soberania. Ainda não dispomos de um mapeamento comum do nosso potencial nem de um diagnóstico sobre projetos estratégicos que podem ser desenvolvidos conjuntamente. O Mapa do Caminho para Plano de Minerais Críticos do Mercosul, apresentado pelo Paraguai, é um ponto de partida para reforçar a autonomia estratégica de nossos países”, prosseguiu.
FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA – Diante de um cenário político cada vez mais polarizado internacionalmente, Lula conclamou os chefes de Estado do bloco a se unirem na defesa da democracia. “A democracia voltou a estar ameaçada no mundo todo. Em nossa região, não é diferente. Redes de desinformação continuam desvirtuando o debate público e tentando enfraquecer a confiança nas instituições”, alertou o presidente brasileiro. Para ele, nesse processo de fortalecimento da democracia, torna-se necessário trabalhar com mais afinco para proteger as minorias e combater a violência contra as mulheres. “É preciso fortalecer as instâncias regionais dedicadas aos povos indígenas, aos afrodescendentes, às crianças, aos idosos, às pessoas com deficiência e à comunidade LGBTQIA+. O Pacto Regional pelo Fim da Violência contra Mulheres proposto pelo Brasil merece ser considerado com urgência”, aconselhou.
COMBATE AO CRIME ORGANIZADO – Em outra frente, Lula destacou que os países do Mercosul precisam atuar cada vez mais em sintonia no combate ao crime organizado. “Não há democracia forte ou desenvolvimento duradouro onde o crime organizado corrói a autoridade legítima do Estado. O crime organizado controla territórios, intimida comunidades, destrói o meio ambiente, alimenta a corrupção, desvia recursos públicos e expande sua atuação para o mundo digital. Nossa cooperação policial, judicial e financeira precisa atuar na mesma escala”, afirmou.
COOPERAÇÃO E DIÁLOGO – Ao encerrar seu discurso, Lula pediu que as nações do bloco, mantendo cada uma sua autonomia, reforcem a cooperação e o diálogo. “Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que a região encontre seu espaço em um mundo em transformação”, afirmou. “E é por isso que eu queria que a gente faça um esforço nestes seis meses para consolidar a instituição de apoio ao Mercosul, para que ela funcione perfeitamente bem, independentemente do presidente a ser eleito em qualquer país do nosso bloco”, concluiu Lula.

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