Medalhista olímpica e mãe da pequena Vera, atleta destaca acolhimento e estabilidade proporcionados pelo programa do Ministério do EsporteA medalhista olímpica Bárbara Seixas passou mais de duas décadas acostumada à rotina intensa do alto rendimento. Entre treinos, viagens e competições internacionais, construiu uma das trajetórias mais relevantes do vôlei de praia brasileiro. E agora, fora das quadras, ela encontra na maternidade seu maior desafio e maior conquista.
Mãe da pequena Vera, nascida em setembro de 2025, Bárbara está entre as primeiras atletas beneficiadas pela política de proteção a gestantes e puérperas do Programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte. Considerado o maior programa do mundo de apoio individual direto a atletas, em 2026 alcançou 11.182 contemplados em todo o país.
Para a atleta, a continuidade do benefício durante a gravidez e o puerpério trouxe tranquilidade em um momento de grandes transformações pessoais e profissionais.
“Só o fato da atleta ter uma segurança financeira, uma continuidade de carreira e, acima de tudo, não precisar escolher entre a maternidade e o alto rendimento já é sensacional. Eu mesma adiei por muitos anos o sonho de ser mãe justamente por esse medo de perder espaço, perder estabilidade, perder o timing da carreira. Com essa ajuda, a gente tem mais tranquilidade”, afirmou Bárbara.A jogadora também destacou a importância do acolhimento institucional durante todo o processo. “Assim que soube da gravidez, comuniquei minha confederação, e eles foram super acolhedores. Quando acionaram o Ministério do Esporte, o apoio também veio imediatamente. Isso me trouxe uma tranquilidade muito grande”, contou.
Só o fato da atleta ter uma segurança financeira, uma continuidade de carreira e, acima de tudo, não precisar escolher entre a maternidade e o alto rendimento já é sensacional. Eu mesma adiei por muitos anos o sonho de ser mãe justamente por esse medo de perder espaço”
A maior conquista
“Ser mãe foi a minha maior conquista. A Vera é minha maior medalha, meu maior troféu, meu maior prêmio. Foi o dia mais feliz da minha vida e continua sendo”, disse.Segundo a atleta, a maternidade apresenta desafios completamente diferentes dos enfrentados no esporte de alto rendimento.
“No esporte, depois de muitos anos, você conhece sua rotina, seus limites, existe uma previsibilidade. Já a maternidade é o contrário disso. Você vive um dia de cada vez, aprendendo constantemente. E, para nós atletas, existe ainda a questão do corpo, da recuperação física e emocional para voltar a performar em alto nível”, explicou.Mesmo em meio ao processo de recuperação física e reorganização da rotina profissional, Bárbara afirma viver uma fase especial.
“Estou focando muito em me fortalecer fisicamente para voltar a competir bem, mas também estou curtindo muito minha filha enquanto posso. Conciliar tudo isso não é simples, mas estou muito feliz.”
Avanço histórico
A secretária nacional de Excelência Esportiva do Ministério do Esporte, Iziane Marques, destacou que a política representa um avanço histórico para as mulheres no esporte.
“O Bolsa Atleta para gestantes e puérperas representa um avanço muito importante na proteção e valorização da mulher no esporte de alto rendimento. Muitas atletas enfrentavam o desafio de interromper suas carreiras ou perder apoio financeiro justamente em um momento tão delicado e transformador da vida. Hoje, essa política garante mais segurança, dignidade e continuidade para que elas possam viver a maternidade sem abrir mão dos seus sonhos e da trajetória esportiva”, disse a secretária.
Iziane também reforçou o compromisso do Ministério do Esporte com políticas públicas de inclusão e permanência. “Garantir esse apoio às atletas gestantes e puérperas é reconhecer que a maternidade não pode ser vista como um obstáculo para a carreira esportiva, mas como uma fase da vida que merece respeito, acolhimento e proteção.”
A garantia de manutenção do Bolsa Atleta para gestantes e puérperas passou a valer a partir da sanção da Lei nº 14.614, em julho de 2023. A legislação assegura às atletas a continuidade do recebimento do benefício durante a gestação e por até seis meses após o nascimento da criança, podendo chegar a até 15 parcelas consecutivas.
A norma também permite que a atleta utilize resultados esportivos obtidos antes da gravidez para renovação da bolsa e dispensa a comprovação de plena atividade esportiva durante o período gestacional e do puerpério. Os direitos também se aplicam a casos de adoção.
Carioca, Bárbara Seixas iniciou sua trajetória no vôlei de praia aos 10 anos, no Rio de Janeiro. Nas categorias de base, conquistou títulos mundiais sub-18 e sub-20. No adulto, brilhou ao lado de Ágatha, com quem conquistou o título mundial de 2015 e a medalha de prata olímpica nos Jogos do Rio. Em 2024, voltou a disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Carol Solberg, encerrando a parceria com o título do Elite16 do Rio, em Copacabana.