O governo federal lançou uma linha de crédito de R$ 4 bilhões para entregadores de aplicativos comprarem motos e bicicletas elétricas, mas a medida enfrenta forte rejeição da categoria. Representantes dos 1,7 milhão de trabalhadores do setor, segundo o IBGE, afirmam que o programa não resolve o principal problema: a baixa remuneração. As informações são da Gazeta do Povo. O programa Move Brasil começará a operar em 27 de julho, permitindo financiamento de veículos com prazo de até 48 meses e dois meses de carência. Abel Santos, presidente da Associação dos Trabalhadores por Aplicativos e Motociclistas (Atam), diz que muitos entregadores já possuem restrições de crédito ou alto endividamento, o que reduz as chances de aprovação. A Atam testou a eficácia de uma linha similar criada para motoristas de aplicativo em maio. Dez motoristas com nome limpo foram aprovados na etapa inicial, mas os bancos ofereceram financiamento de apenas 25% do valor dos carros, percentual insuficiente para a compra. Entregadores veem apelo eleitoral nas medidas Alexandre Santos, presidente da Associação União Maior de Santa Catarina, classifica as ações como eleitoreiras. Ele afirma que o governo dialoga com a categoria desde o início do mandato, mas as iniciativas só apareceram agora, em período pré-eleitoral. Os representantes temem que o programa gere mais endividamento. A chegada de plataformas chinesas elevou temporariamente a remuneração em algumas cidades, mas os ganhos costumam desaparecer em poucos meses. Alexandre explica que as empresas pagam bem na fase inicial para atrair trabalhadores e depois reduzem os valores. Projeto de regulamentação gerou desgaste com governo Durante a campanha de 2022, o presidente Lula prometeu regulamentar o trabalho por aplicativos. O projeto enfrentou resistência das plataformas e de parte dos entregadores, travando na Câmara. O principal impasse foi a criação de uma remuneração mínima por entrega, defendida pelo ministro Guilherme Boulos. Abel Santos diz que a condução das negociações deixou de lado reivindicações prioritárias como proteção ao trabalhador, piso e jornada. O presidente da Atam rompeu com Boulos e afirma que o ministro instrumentalizou lideranças para atender interesses eleitorais. Paulo Galo, ex-aliado histórico de Boulos, também passou a criticá-lo publicamente. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google