A data de 13 de maio, que marca a assinatura da Lei Áurea em 1888, segue sendo motivo de reflexão sobre os desafios históricos enfrentados pela população negra no Brasil. Em texto divulgado nesta terça-feira, o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, afirmou que o movimento negro brasileiro transformou o significado da data ao questionar a ideia de que a abolição representou, de fato, a libertação plena da população negra.
Segundo o presidente, a frase “13 de maio não é o nosso dia”, difundida pelo movimento negro desde a década de 1980, tornou-se um símbolo da crítica à narrativa histórica que atribuía à Princesa Isabel o papel central e exclusivo no processo de libertação dos escravizados. Para João Jorge, essa interpretação desconsidera a resistência histórica da população negra e reforça desigualdades estruturais presentes até hoje na sociedade brasileira.
No texto, ele ressalta que os negros não foram sujeitos passivos durante o período escravista e relembra importantes movimentos de resistência negra no país, como a Revolta dos Búzios, em 1798, e a Revolta dos Malês, em 1835, ambas ocorridas na Bahia. O presidente também destaca o papel histórico dos quilombos, das manifestações culturais afro-brasileiras e das organizações negras na construção da identidade nacional e na luta por direitos.
João Jorge argumenta ainda que os indicadores sociais atuais demonstram que a abolição da escravidão não garantiu inclusão econômica, social e política para a população negra. Entre os desafios apontados estão a desigualdade no acesso à educação de qualidade, moradia, transporte público, lazer e oportunidades profissionais.
Ao defender o fortalecimento das políticas de ação afirmativa, o presidente da Fundação Palmares afirma que essas medidas são fundamentais para promover igualdade de oportunidades e ampliar a presença de negros e pardos em espaços historicamente marcados pela exclusão. Segundo ele, as ações afirmativas vão além das cotas raciais e envolvem mecanismos jurídicos, sociais e administrativos voltados à redução das desigualdades históricas.
O texto também relaciona a inclusão social da população negra ao enfrentamento da violência e da exclusão social que afetam jovens das periferias urbanas. Para João Jorge, ampliar o acesso à educação pública e ao mercado de trabalho representa uma estratégia de desenvolvimento social e fortalecimento da democracia brasileira.
Ao final, o presidente reforça que o reconhecimento da diversidade é um passo essencial para o futuro do país. “O Brasil de todos os brasileiros é o Brasil com negros e mestiços”, conclui.