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Jornada 6×1 e a falta de tempo na vida das mulheres

1 de maio de 2026
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No Dia do Trabalhador, artigo da Ministra de Estado das Mulheres, Márcia Lopes, traz reflexão sobre as condições de trabalho das mulheresNeste 1º de Maio, o debate sobre o mundo do trabalho precisa ir além da geração de empregos. É cada vez mais necessário olhar para as condições em que o trabalho acontece — e, sobretudo, para o tempo de vida que sobra fora dele.
O mundo do trabalho é um dos principais espaços onde se expressam e se reproduzem as desigualdades de gênero. Embora as mulheres tenham ampliado significativamente sua participação nas últimas décadas, essa presença ainda ocorre em condições desiguais, marcadas por diferenças de renda, oportunidades e reconhecimento.
A jornada 6×1, ainda realidade para milhões de brasileiras e brasileiros, impõe uma rotina que compromete o descanso, o convívio familiar e a qualidade de vida. Para as mulheres, esse cenário é ainda mais desigual. Isso porque o tempo de trabalho não termina ao fim do expediente: continua em casa, no cuidado com a família e nas tarefas domésticas.
Essa sobrecarga não é ocasional. Ela reflete uma organização histórica que atribui às mulheres a responsabilidade pelo cuidado — um trabalho essencial, mas ainda invisibilizado e desvalorizado. Como consequência, falta tempo. Tempo para descansar, estudar, cuidar da saúde, participar da vida pública e construir autonomia.
Quando o tempo é escasso, as desigualdades se aprofundam. E, no Brasil, elas têm cor e classe: mulheres negras e periféricas são as mais afetadas pela informalidade, pela precarização e pelas jornadas mais intensas.
Por isso, discutir modelos como a jornada 6×1 é também discutir justiça social e igualdade de gênero. O futuro do trabalho precisa considerar não apenas produtividade, mas dignidade. Isso significa reconhecer o valor do cuidado, redistribuir responsabilidades e garantir condições reais para que as mulheres possam viver com mais autonomia.
O Ministério das Mulheres tem atuado para fortalecer políticas que ampliem o acesso a direitos, promovam a autonomia econômica e enfrentem as desigualdades estruturais que marcam a vida das mulheres. Esse é um passo fundamental para construir um país mais justo.
Garantir mais tempo é garantir mais direitos. É permitir que as mulheres possam escolher seus caminhos, participar da vida pública e viver com dignidade.
Repensar o trabalho é, portanto, repensar o próprio futuro da sociedade. E esse futuro só será possível com mais equilíbrio, mais justiça e mais igualdade.
Márcia LopesMinistra de Estado das Mulheres

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