O Ministério Público Federal recebeu uma denúncia para investigar um suposto esquema de tráfico de influência nos Correios. Segundo o sindicato de trabalhadores da estatal no Rio de Janeiro (Sintect-RJ), cerca de 300 pessoas teriam sido contratadas em troca de um percentual dos salários, a chamada rachadinha. As informações são da Gazeta do Povo. Os acusados negam as práticas e afirmam que se trata de uma disputa política interna do sindicato. A denúncia foi feita por 13 testemunhas que relataram um esquema descrito como estável e hierarquizado. O suposto esquema teria ocorrido durante a gestão do ex-presidente da estatal Fabiano Silva dos Santos, que comandou os Correios entre 2023 e 2025. Também foi acusado o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos, Emerson Marinho. Ambos negam envolvimento e prometem processar os denunciantes. O caso foi inicialmente encaminhado ao MPF no Rio de Janeiro, mas foi transferido para o Distrito Federal. O órgão confirmou que as acusações estão em fase de averiguação preliminar, etapa anterior à abertura de um possível inquérito. Os sindicalistas afirmam que o caso também foi levado à Polícia Federal, que não comentou eventuais investigações. Denúncia aponta esquema de nomeações em troca de dinheiro Segundo a denúncia, o suposto esquema funcionava com base em uma relação entre o ex-presidente Fabiano dos Santos e o líder sindical Emerson Marinho. Este último teria atuado como agenciador de cargos de gestão dentro da estatal, usando o sindicato como fachada. As cobranças incidiriam sobre gratificações pagas a quem ocupava os cargos. De acordo com o presidente do Sintect-RJ, Marcos Sant’Aguida do Nascimento, os repasses mensais variavam de R$ 50 a R$ 1 mil, com percentuais entre 5% e 15%, dependendo da posição hierárquica. O grupo coordenado por Emerson teria indicado pessoas para cargos de confiança no Rio de Janeiro, prática que depois se espalhou para Santa Catarina e Paraná. Emerson Marinho afirmou que as acusações são falsas e resultado de perseguição política após sua vitória em eleição sindical. Fabiano dos Santos disse que conhece os envolvidos institucionalmente, mas não tem poder para fazer nomeações no Rio de Janeiro. Ele também prometeu processar os denunciantes. Correios atravessam crise financeira histórica As denúncias ocorrem enquanto os Correios enfrentam uma das maiores crises financeiras de sua história. Fabiano da Silva dos Santos pediu demissão em julho de 2025, em meio a prejuízos recordes. No início de 2026, a empresa precisou recorrer a um empréstimo de R$ 20 bilhões em bancos estatais para manter as operações. Os resultados do primeiro trimestre de 2026 mostraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões, quase o dobro dos R$ 1,7 bilhão registrados no mesmo período de 2025. A senadora Damares Alves apresentou proposta de fiscalização rigorosa dos Correios no Senado Federal. A assessoria dos Correios informou que a diretoria não compactua com condutas ilícitas e que desvios estão a cargo da Corregedoria da empresa. A prática de rachadinha não tem tipo penal específico, mas pode se enquadrar como concussão ou peculato, dependendo das circunstâncias. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google