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O que está por trás do desemprego em mínima histórica no Brasil

5 de abril de 2026
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A taxa de desemprego em fevereiro deste ano foi de 5,8%, segundo o IBGE. O número é o menor para o mês desde o início da série histórica, mas o recorde esconde uma armadilha silenciosa, que é a inatividade em massa. O baixo índice de desemprego não significa que todos que buscavam encontraram trabalho, mas que milhões de brasileiros simplesmente deixaram de procurar uma ocupação. A taxa de participação no mercado de trabalho, que mede o percentual da população em idade ativa que está trabalhando ou procurando emprego, recuou para 61,9% em fevereiro. Isso é 0,3 ponto percentual abaixo de novembro de 2025 (62,2%) e 2 pontos percentuais abaixo do período pré-pandemia (63,9%). Na prática, significa que uma parcela significativa saiu da força de trabalho, seja por saúde, falta de qualificação, desalento – quando a pessoa desiste de procurar emprego por acreditar que não vai conseguir uma vaga – ou porque encontrou outras fontes de renda. + Leia mais – Mais ferrovias, estradas e tecnologia; Tribuna entrevista Edson Vasconcelos, presidente da FIEP Segundo o Itaú, caso a taxa de participação no mercado de trabalho estivesse no nível da média histórica (62,9%), o desemprego atual seria de 7,2%. Se estivesse no nível pré-pandemia, o desemprego seria de 8%. Há, portanto, um “desemprego disfarçado”, ou seja, uma subutilização maior do que a taxa de desemprego sugere. Bolsa Família incentiva saída do mercado de trabalho, diz FGV Um fator relevante é o aumento das transferências fiscais pelo governo Lula. Programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Pé de Meia cresceram significativamente na gestão atual. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), divulgado no segundo semestre de 2025, mostra que para cada duas famílias que recebem o Bolsa Família, uma sai da força de trabalho. O programa cresceu expressivamente desde a pandemia: o valor médio mais que triplicou, e o número de famílias atendidas teve forte aumento. Subutilização cresce e já ultrapassa 16 milhões de pessoas A taxa de subutilização da força de trabalho subiu de 13,5% em novembro de 2025 para 14,1% em fevereiro de 2026. Isso representa cerca de 16,1 milhões de brasileiros — 675 mil a mais no período. + Veja mais: Crescimento urbano disperso desafia modelo de cidades de 15 minutos no Paraná A subutilização inclui desempregados, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e aquelas que estão disponíveis para trabalhar, mas não procuram emprego. É um indicador mais amplo que o desemprego tradicional e revela melhor a pressão no mercado de trabalho. Baixo desemprego expõe gargalo de produtividade O baixo índice de desemprego esconde outro problema: o país atingiu o pleno emprego técnico sem que a riqueza gerada por trabalhador tenha crescido na mesma velocidade. Falta mão de obra qualificada em oito em cada dez setores, segundo estudo do Banco Daycoval. Com o mercado “apertado”, o Banco Central tem dificuldade em baixar os juros. A primeira queda em dois anos ocorreu neste mês, mas foi mínima: 0,25 ponto percentual, passando de 15% ao ano para 14,75%. Esse modelo de crescimento dá sinais de esgotamento. A barreira agora não é mais a falta de emprego, mas a falta de mão de obra qualificada. Sem resolver esse gargalo estrutural, a inflação tende a permanecer alta, os juros se mantêm elevados e o crescimento fica estagnado. Na indústria, a falta de trabalhadores capacitados saltou de 5% em 2019 para 23% em 2024, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). É o quarto maior problema do setor, atrás apenas de impostos, juros e demanda. Para pequenas e médias empresas, o problema já é o principal obstáculo ao crescimento. Baixa qualificação limita produtividade e crescimento Esse descompasso não é apenas conjuntural. Ele tem raízes estruturais na baixa qualificação da força de trabalho brasileira. A CNI estima que três em cada cinco trabalhadores na indústria precisarão de requalificação até 2027, reflexo da baixa qualidade da educação básica no país. Segundo o diretor de economia da entidade, Mário Sérgio Telles, as empresas enfrentam dificuldades para elevar a produtividade porque os trabalhadores recém-contratados possuem “lacunas na formação educacional”. Com o avanço da inteligência artificial e da automação, esse desafio se intensifica. As empresas demandam profissionais com maior capacidade de adaptação, enquanto a formação disponível não acompanha esse ritmo. A falta de mão de obra qualificada aparece, nesse cenário, como um dos principais entraves ao crescimento, limitando ganhos de produtividade e pressionando a inflação. O peso da informalidade no desemprego A incapacidade de formar trabalhadores qualificados limita o crescimento do PIB, impedindo que a economia se desenvolva de forma sustentável sem ganhos de produtividade. A informalidade reflete esse gargalo estrutural. A taxa caiu levemente para 37,5% em fevereiro (38,3 milhões de trabalhadores informais), contra 37,7% no trimestre anterior — uma melhora sazonal. Trabalhadores informais, em média, possuem menor qualificação e menor produtividade. Enquanto a economia demanda por talentos qualificados, milhões permanecem presos em ocupações informais de baixa renda, um desperdício que agrava o gargalo. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora da PNAD Contínua do IBGE, a retração da informalidade neste trimestre foi influenciada principalmente pela queda na construção e em segmentos menos formalizados da indústria e agricultura. Mas essa melhora é superficial: sem investimento em educação e qualificação, a informalidade permanecerá como válvula de escape para trabalhadores sem oportunidades no mercado formal. Salários sobem mais que produtividade e trazem inflação O aumento real dos salários impulsiona o consumo, mas também pressiona o custo do trabalho. O problema é que os salários estão subindo mais rápido do que a produtividade. A massa salarial ampliada cresceu acima de 4,5% em 2025, segundo o Ibre-FGV, sem ganhos equivalentes de eficiência. Em um mercado de trabalho apertado, a escassez de mão de obra qualificada leva empresas a elevar salários para reter talentos. Como o setor de serviços é intensivo em mão de obra e a economia opera próxima da capacidade máxima, esse aumento de custos é rapidamente repassado ao consumidor, resultando em inflação persistente e mantendo o IPCA bem acima da meta de 3%. O mercado de trabalho, antes motor de crescimento, agora alimenta a inflação. Pressão sobre inflação e juros deve continuar em 2026 Lívio Ribeiro, Katherine Hennings e Matheus Rosa Ribeiro, pesquisadores do Ibre-FGV, projetam que o mercado de trabalho permanecerá pressionado em 2026. A taxa média de desemprego deverá ficar em 5,9% — apenas um pouco acima do patamar de 2025. Esse ajuste será mínimo, mantendo o mercado de trabalho apertado e a taxa de desemprego abaixo do nível que pressiona a inflação durante todo o ano. O crescimento real da massa salarial ampliada deverá ser levemente superior a 4,5% em 2026, construído sobre expansões vigorosas nos anos anteriores. Com a isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil, a disponibilidade de recursos às famílias pode ser ainda maior. A dinâmica aquece a demanda e complica o trabalho do BC. A inflação de serviços, que acelerou para 6,0% ao final de 2025, permanece acima da meta de inflação. De olho! Vereador Perdeu Piá é investigado por usar GM para se autopromover Alerta Paraná pode sentir efeitos do El Niño a partir de julho; o que esperar Belezas do Paraná Roteiro inusitado: Paraná coleciona estátuas peculiares pelo interior Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

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