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Paraná cobra governo federal após bloqueio da carne bovina e outros produtos pela União Europeia

13 de junho de 2026
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O Sistema da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) subiu o tom e cobrou pressa do Ministério da Agricultura diante da decisão da União Europeia (UE) de barrar a entrada de carne bovina e outros produtos de origem animal vindos do Brasil a partir de setembro. Representantes do agronegócio paranaense e nacional atribuem a exclusão do país à falta de ação e à morosidade do governo Lula em responder às exigências sanitárias do bloco econômico de 27 países, que oficializou a lista de exportadores autorizados ratificando o veto ao mercado brasileiro. Além da carne bovina, de aves, equídeos e pescados, o potencial embargo inclui subprodutos como tripas, ovos e mel. A medida consta de regulamento da Comissão Europeia com base na ausência de informações prestadas pelo Brasil que comprovem o cumprimento das exigências sanitárias relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal. Entidades cobram ação do governo para comprovar protocolos sanitários Diante do bloqueio, o Sistema da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) encaminhou nesta semana um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em que cobra “celeridade na condução das tratativas internacionais, visando à superação dos entraves existentes”. Em nota, a entidade diz que “considera que o embargo decorre da morosidade por parte do governo federal na prestação de informações”. O Paraná é o líder absoluto da avicultura brasileira, respondendo por mais de 34% de toda a produção nacional e cerca de 41% das exportações brasileiras de carne de frango. As exportações dos itens que podem ser proibidos na Europa pelo Paraná somaram US$ 235 milhões no ano passado, segundo a federação. “É inadmissível que nossos mercados sejam ameaçados por falta de agilidade e articulação diplomática. O agro brasileiro precisa de uma ação imediata do governo federal para evitar a suspensão dos negócios e, consequentemente, problemas para os pecuaristas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. O Sistema Faep alega que o embargo imposto pela UE não condiz com o real status sanitário da pecuária nacional e estadual. O Paraná, por exemplo, é reconhecido oficialmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) desde 2021 como área livre de febre aftosa sem vacinação, certificação que o país conquistou apenas em 2025. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) também atribui ao governo federal uma “falha de coordenação, comprovação ou resposta tempestiva” à decisão da UE de restringir a importação de produtos de origem animal brasileiros. Em nota técnica publicada nesta semana, a Farsul afirma que a proibição, motivada pelas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos, não pegou o mercado de surpresa. “O episódio sugere menos uma mudança súbita de regra e mais uma falha de coordenação do Brasil diante de uma exigência europeia já conhecida”, aponta análise da assessoria econômica da entidade. Ex-ministro atribui bloqueio à “incompetência do governo” Nas palavras de Antonio Cabrera, ex-ministro da Agricultura e ex-secretário da Agricultura de São Paulo, a barreira imposta pelo bloco econômico aos produtos brasileiros é resultado de “incompetência do governo federal”. Para ele, era certo que após a assinatura do acordo entre Mercosul e UE, os europeus passariam a ser cada vez mais exigentes em iniciativas para proteger seus agricultores. Mesmo sabendo que a questão dos antimicrobianos seria o próximo alvo, o governo fez “diplomacia de palco”, segundo o ex-ministro. “Um governo sério não reage apenas após o embargo, afirmando que buscaria uma explicação. A explicação já estava dada, e nós já deveríamos ter respondido com documentação, rastreabilidade, auditoria, transparência, comprovação de controles, negociação técnica e pressão diplomática”, escreveu Cabrera em coluna na Gazeta do Povo. Caiado diz haver “falha burocrática” no Ministério da Agricultura A falta de proatividade do Executivo para a resolução do problema também é apontada pelo ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado, como fator preponderante para a oficialização do embargo. “Nós não respondemos às exigências sanitárias e hoje estamos bloqueados. Isso é uma desmoralização para o Brasil, pois todos os países da América Latina responderam a essas demandas, fizeram correções e estão liberados”, disse Caiado na terça-feira (9) no evento Agro360º – O Agro na Encruzilhada Global, realizado em São Paulo. Na quarta (10), Caiado participou de encontro com embaixadores de países da UE e da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). “Realmente acredito ter uma falha ali na parte burocrática do Ministério da Agricultura”, afirmou o ex-governador em entrevista a jornalistas após a reunião. Além de ter regras sanitárias, Brasil precisa demonstrar seu cumprimento, diz advogada Para além das questões burocráticas, Ieda Queiroz, coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, diz que o Brasil corre risco real de perder competitividade internacional caso não comprove, de forma prática e auditável, o cumprimento das regras sanitárias exigidas pelos mercados mais rigorosos. “A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, diz. Para Ieda, quando o Reino Unido, outro mercado de alta exigência sanitária, também sinaliza restrições, “fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”. Segundo a advogada, o Mapa reúne relatórios técnicos para responder às autoridades europeias, mas a reabilitação depende de comprovação prática de conformidade em toda a cadeia produtiva. “A distância entre norma e prática ainda é grande”, explica. Governo diz que mantém diálogo com autoridades europeias O Mapa foi questionado sobre as críticas em relação à demora na prestação de informações sobre o cumprimento de exigências sanitárias da UE, mas não retornou o contato da Gazeta do Povo. O Ministério das Relações Exteriores (MRE), por sua vez, afirmou que mantém diálogos com as autoridades europeias. A pasta, no entanto, informou que não divulgará detalhes das negociações em adversarial para preservar a condução do processo. “Há diálogos em curso com o lado europeu. Informa-se que este Ministério não se pronuncia sobre tratativas em andamento, com vistas a resguardar a boa condução do processo negociador”, afirmou a pasta à Gazeta do Povo. 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