Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
Informe Curitiba
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
Informe CuritibaInforme Curitiba
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Geral

Revitalização do Centro de Curitiba: desafios além dos incentivos

1 de abril de 2026
Compartilhar

A Prefeitura de Curitiba assinou, na última terça-feira (31/03), cinco decretos que formam o programa “Curitiba de Volta ao Centro”. O objetivo é claro: combater o esvaziamento da região central e ocupar imóveis abandonados em eixos históricos, como a Rua XV de Novembro, a Riachuelo e as imediações do Teatro Guaíra. O plano aposta no bolso dos empreendedores. Entre as medidas, estão a redução ou isenção temporária de impostos como o IPTU (sobre a propriedade), o ITBI (pago na compra do imóvel) e o ISS (sobre serviços). Além disso, o município se propõe a custear até 50% de determinadas obras de recuperação. Para Luiz Eduardo Bini Gomes da Silva, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Paraná (IABPR), a estratégia é uma boa “porta de entrada“, mas não é o suficiente. “É um bom início, mas é necessário ir além das questões fiscais. É preciso que o poder público invista também na manutenção dos espaços públicos, na acessibilidade e mobilidade, infraestrutura e paisagem urbana”, avalia. O conceito de “15 minutos” contra o afastamento dos moradores Pensando em uma ocupação saudável da região central, o arquiteto e urbanista aponta que Curitiba deve se espelhar no conceito de cidade de 15 minutos e fugir da gentrificação. O presidente do IABPR cita Paris como exemplo positivo de cidade que se preocupou com planejamento urbano na história recente. “Paris tem o conceito de cidade de 15 minutos, que diz que a pessoa tem que ter, em um raio de 15 minutos andando a pé, uma gama de serviços que atenda as necessidades primárias, como escolas, postos de saúde, farmácias, supermercados. Esse conceito é o que tem de mais inovador hoje no mundo: em 15 minutos a pé acessar todas as necessidades básicas.” Bini alerta que esse planejamento deve evitar a gentrificação. O termo técnico descreve o processo em que uma antiga área degradada torna-se tão valorizada que o custo de vida sobe excessivamente, expulsando os antigos moradores e comerciantes locais para dar lugar a pessoas com maior renda. Ao olhar para o projeto de Curitiba, ele acredita que existe a tentativa de fugir da gentrificação. “Esse mecanismo de isenção fiscal favorece o uso de diversas camadas da sociedade nessa área central, isso que traz a pujança que uma cidade precisa. É ideal que tenha empreendimentos âncoras, mas também serviços básicos. E para segurar a população no Centro tem que dar garantia de segurança, emprego e moradia”, afirma. Retomada do Centro depende de execução a longo prazo O economista e vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Carlos Tristão, avalia que o comércio físico enfrenta dificuldades nos últimos anos, especialmente com o avanço das compras online. Pelo Centro seguir como uma região movimentada e diante dos subsídios anunciados no pacote, ele acredita que novos empreendimentos possam ser atraídos, embora ressalte que os incentivos, por si só, não garantem a revitalização da região. “O programa funciona como um facilitador, porque oferece subsídios até 2032, mas a decisão de empreender envolve mais elementos do que apenas o incentivo”, afirma. Para Tristão, programas de incentivo e subvenção precisam ser pensados com foco no longo prazo e acompanhados de contrapartidas que garantam melhorias efetivas na região. “Não basta apenas conceder desconto sem exigir contrapartidas. Nesse caso, a exigência de manutenção dos imóveis e a melhoria do ambiente urbano podem contribuir para tornar a região mais atrativa.” Ele avalia que a melhoria do espaço urbano pode ampliar a circulação de turistas e consumidores, criando um ciclo positivo para a economia local e fortalecendo os novos negócios, mas pondera que esse resultado depende da efetiva implementação das medidas previstas. “Muitas vezes a ideia do programa é boa, mas o que define o resultado é a execução. A prefeitura precisa acompanhar de perto e exigir que as regras sejam cumpridas para que isso realmente se converta em melhoria econômica para a cidade.” O economista também aponta que investimentos de maior porte podem impulsionar o processo de revitalização e abrir espaço para novos negócios menores. “O pequeno empreendedor muitas vezes é consequência de um investimento maior. Quando um grande grupo decide investir em um imóvel ou construir um empreendimento, ele está olhando para o longo prazo. Esse tipo de investimento pode atrair novos negócios ao redor.” Modernizar ou restaurar? Nos decretos assinados, a prefeitura cita o incentivo ao retrofit, arcando com 25% dos custos de obras nessa modalidade. O retrofit é um conceito que prevê a modernização de prédios antigos ou defasados, atualizando instalações elétricas e hidráulicas, adequando os edifícios em normas e necessidades contemporâneas. Sobre o uso amplo desse conceito, o presidente do IABPR demonstra preocupação com o tipo de trabalho que pode ser executado nos prédios mais antigos da cidade. “Eu prefiro o termo restauro. É fundamental que os arquitetos, urbanistas e a sociedade entendam a importância do patrimônio histórico e, na medida do possível, tentem preservar essa identidade que trouxe Curitiba até aqui. Eu acho fundamental que a questão de preservação da identidade da cidade seja mantida para que Curitiba continue a olhar para o futuro, mas sem esquecer de onde veio”, diz. O urbanista lembra que os 333 anos de Curitiba estão diretamente ligados à forma como o espaço urbano foi construído ao longo do tempo. Segundo ele, o Centro reúne um acervo patrimonial expressivo, com edifícios que registram diferentes ciclos econômicos e arquitetônicos do Paraná. “O Centro é muito rico nesse aspecto. Não podemos desconsiderar todo o histórico de produção arquitetônica da cidade e os ciclos que ela viveu, como o da erva-mate, que deixou imóveis marcantes, como o Palacete do BRDE, que retrata um período econômico muito expressivo da história do Paraná.” Iniciativas horizontais Bini defende que a revitalização precisa ser “horizontal”, ou seja, envolver várias áreas ao mesmo tempo: economia, cultura, inclusão e diversidade. Ele cita Barcelona como um exemplo de cidade que conseguiu reocupar seu núcleo urbano com sucesso ao unir esses agentes. “Essa combinação de ações é a grande chave para um Centro realmente vivo.” Ele relembra que Curitiba já foi exemplo mundial de revitalização da área central, quando o então prefeito Jaime Lerner decidiu fechar o Calçadão da Rua XV para uso exclusivo de pedestres. “Medida inicialmente impopular, comerciantes fizeram até protesto na época, mas em curto espaço de tempo a população notou os ganhos e a decisão se tornou exemplo internacional de qualidade de vida.” De olho! Vereador Perdeu Piá é investigado por usar GM para se autopromover Alerta Paraná pode sentir efeitos do El Niño a partir de julho; o que esperar Belezas do Paraná Roteiro inusitado: Paraná coleciona estátuas peculiares pelo interior Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print
Painel Informe Manaus de Satisfação: Gostou da matéria?
Love0
Angry0
Wink0
Happy0
Dead0

Você pode gostar também

Geral

Candidatos ao governo do Paraná participam de debate na próxima segunda-feira

14 de agosto de 2026
Geral

Delegado da PF é indiciado por injúria racial em Londrina

14 de agosto de 2026
Geral

Empresas pedem que Brasil evite retaliação tarifária contra os EUA

14 de agosto de 2026
Geral

Petrobras descobre petróleo na costa do Amapá

14 de agosto de 2026
Geral

Paraná terá programa do MIT com investimento de cerca de US$ 1 milhão

14 de agosto de 2026
Geral

Horário eleitoral invade rádio e TV do Paraná a partir de 28 de agosto; veja os horários

14 de agosto de 2026