Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
Informe Curitiba
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
Informe CuritibaInforme Curitiba
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Geral

90% das ostras produzidas no Brasil morreram; saiba o que causou isso

22 de abril de 2026
Compartilhar

Santa Catarina é responsável por praticamente toda a produção de ostras no Brasil. Municípios como Florianópolis, Palhoça, Bombinhas e Governador Celso Ramos concentram mais de 90% da atividade e garantem o abastecimento do mercado nacional. O setor atravessa agora uma crise inédita, provocada pela elevação das temperaturas. Em 2026, a estimativa aponta perda de aproximadamente 72 milhões de ostras. Como saída emergencial, diversos produtores começaram a vender exemplares menores, fora do padrão convencional, chamados de “refugo”. “Santa Catarina sempre foi a matriz da maricultura brasileira, com 97% da produção nacional de moluscos — algo em torno de 8,7 mil toneladas por ano, com valor superior a R$ 48 milhões”, afirma o secretário estadual de Pesca e Aquicultura, Fabiano Muller Silva. O que causou a morte de 90% das ostras A espécie cultivada predominantemente é a ostra do Pacífico (Crassostrea gigas), adaptada a águas frias e pouco tolerante a temperaturas altas. No último verão, a temperatura do mar, que costuma ficar em torno de 28 °C, atingiu picos de 34 °C entre janeiro e fevereiro de 2026. O aumento térmico reduz a oxigenação da água e provoca mortalidade em massa nas fazendas marinhas. Diante dos danos econômicos, o governo catarinense criou uma linha de crédito voltada ao setor: R$ 40 milhões disponibilizados, com limite de até R$ 50 mil por produtor, sem juros e prazo de cinco anos para quitação. Alternativas para reduzir vulnerabilidade da produção Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) analisam alternativas para diminuir a fragilidade do setor. Entre as propostas estão o desenvolvimento do mercado de carne de ostra cozida — que possibilitaria colheita em períodos mais frios — e o investimento em linhagens mais resistentes ao calor. “Todos os anos há registro de mortalidade no verão, geralmente entre 30% e 40%. Neste ano, porém, o impacto foi muito superior, com perdas que chegaram a 90%, o que exige medidas urgentes para evitar novos prejuízos”, explica André Novaes, gerente do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap), da Epagri. Especialistas avaliam que eventos de calor extremo devem acontecer com maior frequência. Considerando esse panorama, entidades como o Ministério da Pesca e Aquicultura, a UFSC, a Epagri e a Secretaria de Agricultura e Pesca reuniram-se recentemente para debater estratégias de adaptação. Entre as medidas propostas está a formação de um grupo técnico dedicado à abertura de novo nicho de mercado: a produção, processamento e comercialização de carne de ostra em períodos de temperaturas mais brandas. Ostras verdes surgem como alternativa promissora Em meio às dificuldades, um fenômeno despertou interesse de produtores e pesquisadores. Ostras cultivadas na baía sul de Florianópolis começaram a exibir coloração esverdeada, causando estranheza entre consumidores, que relataram aspecto “mofado” nos moluscos. A investigação demonstrou tratar-se da proliferação de microalgas do grupo das diatomáceas, possivelmente da espécie Haslea ostrearia, a mesma presente na região francesa de Marennes-Oléron, onde as chamadas huîtres vertes são tidas como iguaria sofisticada, com certificação de qualidade. Essa microalga produz um pigmento azul, a marennina, responsável pela mudança na tonalidade das ostras. Distante de representar risco sanitário, análises preliminares mostram que não há produção de toxinas. Pelo contrário, o organismo pode agregar valor nutricional a ostras, vieiras e mexilhões. “Essa microalga tem grande potencial, inclusive para aplicações biotecnológicas, como na produção de alimentos e na área farmacêutica”, destaca o professor Rafael Diego da Rosa, da UFSC. O fenômeno já havia sido observado em Santa Catarina há mais de uma década, mas acabou não sendo estudado profundamente na ocasião. Agora, os pesquisadores atuam em duas frentes: confirmar molecularmente a identificação da espécie e compreender as condições ambientais que favoreceram seu ressurgimento. “A ideia é analisar fatores como correntes marítimas, ondas de calor, ventos e outras variáveis ambientais, cruzando esses dados para identificar o que pode ter desencadeado o fenômeno. Com isso, abre-se a possibilidade de reproduzir essas condições em laboratório”, explica o pesquisador Gabriel Filipe Faria Graff. Caso o cultivo controlado da microalga seja viabilizado, a maricultura catarinense poderá transformar a crise em oportunidade — agregando valor ao produto e expandindo sua atuação para as indústrias de alimentos e farmacêutica. >>> Leia o conteúdo original. Denominação de Origem Conheça o mel raro do interior do Paraná que nasce de floradas especiais e tem sabor suave Imigração Curitiba é a nova Miami: capital paranaense é a que mais recebe cubanos do Brasil Paixão compartilhada Futebol ajuda imigrantes venezuelanos a reconstruir vínculos em Curitiba Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print
Painel Informe Manaus de Satisfação: Gostou da matéria?
Love0
Angry0
Wink0
Happy0
Dead0

Você pode gostar também

Geral

Como será a redução da jornada de trabalho proposta pela PEC 221/19?

26 de maio de 2026
Geral

Prazo do Imposto de Renda termina na sexta; 11,5 milhões ainda não entregaram

25 de maio de 2026
Geral

Acidentes de trânsito custam R$ 37,1 milhões ao SUS em Curitiba

25 de maio de 2026
Geral

Buraco interdita duas faixas da Roberto Barrozo, nas Mercês

25 de maio de 2026
Geral

Receita de sopa cremosa de abóbora que vai blindar sua imunidade no frio

25 de maio de 2026
Geral

Mega terreno em área valorizada vai a leilão com 50% de desconto

25 de maio de 2026