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Nacional

Lula lança linha de R$ 21,2 bi, com menos juros e mais prazo, para compra de caminhões e ônibus

30 de abril de 2026
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Nova etapa do programa Move Brasil tem o dobro de recursos e melhores condições para autônomos, com até 12 meses de carência e prazo de até 10 anosO presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a ampliação do programa Move Brasil, nesta quinta-feira, 30 de abril, no Palácio do Planalto. A nova etapa do programa – que antes só financiava a compra de caminhões – passa a incluir também o financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários (como reboques e carrocerias, por exemplo), aumentando o seu público-alvo e o volume de recursos disponíveis.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai operacionalizar a linha de financiamento (BNDES Renovação de Frota), que terá orçamento de R$ 21,2 bilhões, sendo R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões em recursos adicionais do Banco. As condições da linha serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. O valor máximo financiável por beneficiário é de até R$ 50 milhões.
“Nós resolvemos melhorar as condições. Aumentar o prazo de carência, aumentar a quantidade de anos para vocês poderem pagar, e diminuir um pouco a taxa de juros”, afirmou o presidente. Vamos fazer isso com muito carinho, porque se a gente fizer isso e der certo para os [caminhoneiros] autônomos, aí sim, eu acho que a gente tem chance de dizer que nós vamos renovar de verdade a frota de caminhões e ônibus neste país”, completou.

Vamos fazer com carinho para dar certo para os caminhoneiros autônomos”

Durante a cerimônia, Lula falou sobre outra medida que beneficiará os caminhoneiros do Brasil. “Os caminhoneiros vão ter pela primeira vez nesse país, até o final do ano, 41 praças para descansar com respeito e com segurança. E isso nós fizemos obrigando, em todas as concessões que a gente faz de estrada, que as empresas construam. Para vocês não ficarem parados perto de postos de gasolina, nem sempre com segurança, nem sempre podem dormir à noite com tranquilidade, porque enquanto estão dormindo estão roubando o carro de vocês ou mesmo vocês correndo risco de vida”, declarou.
GANHOS — O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, apontou que a nova etapa do Move Brasil trará ganhos para o meio ambiente e para a saúde da população. “Um caminhão novo polui 40 vezes menos do que um caminhão com mais de 20 anos. E eu destacaria a importância da saúde pública, porque a terceira causa de morte no Brasil não é doença. A terceira é causa externa. Entre as causas externas, o acidente rodoviário é um dos principais. Com a renovação da frota, a tecnologia é impressionante, vai reduzir drasticamente os acidentes, preservar vidas e promover o desenvolvimento do nosso país”, argumentou.
Na solenidade, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ressaltou os avanços do programa. “Com o Move Brasil 2, nós damos um passo ainda mais largo. Quem entregar um veículo para reciclagem, um veículo velho, por exemplo, aderindo à sustentabilidade, consegue taxas ainda mais reduzidas, fomentando também a preservação ambiental. Esse não é apenas um programa de crédito, é política industrial”, disse.
INCENTIVO — São beneficiários do Move Brasil os transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas de transporte rodoviário de cargas, e empresários individuais ou pessoas jurídicas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas ou de passageiros. Os recursos só poderão ser usados na aquisição de veículos de fabricação nacional que atendam às regras de conteúdo local do BNDES. No caso específico de caminhoneiros autônomos e cooperativados, a MP permite não apenas a aquisição de veículos novos, mas também de seminovos.
“O primeiro Move foi um sucesso, o segundo Move não tem motivo para não ser sucesso. É fundamental que a gente veja as contrapartidas, a redução do valor dos caminhões e o emprego garantido para os trabalhadores”, enfatizou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
AUTÔNOMOS — A Medida Provisória que amplia o Move Brasil também prevê o fortalecimento do apoio aos transportadores autônomos, público mais vulnerável às oscilações econômicas. Na prática, essas medidas serão a redução na taxa de juros e a ampliação do prazo máximo de pagamento para até 10 anos (o dobro do prazo previsto na linha lançada na primeira etapa do programa) e de seis para 12 meses de carência, propostas que serão avaliadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O volume de recursos reservado exclusivamente aos autônomos será de R$ 2 bilhões, o dobro do valor disponível em 2025.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, salientou que o Governo do Brasil atende às reivindicações dos caminhoneiros autônomos. “Essa não é a única medida do presidente Lula para fortalecer, reconhecer e expressar a escuta e o compromisso com os caminhoneiros, por entender a importância que eles têm. Há um mês, se assinou a Medida Provisória do piso do frete, que era uma reivindicação histórica dos caminhoneiros. Também, nessa semana, saiu a definição por resolução do Ministério do Transporte, da suspensão de 3,4 milhões de multas ilegítimas do pedágio Free Flow, e isso contemplou muitos caminhoneiros que tinham sido multados indevidamente”, relatou.
DOBRO DE RECURSOS — Os R$ 10 bilhões iniciais do Move Brasil, disponibilizados a partir de janeiro de 2026 com juros abaixo dos de mercado, foram consumidos em dois meses, totalizando mais de 8 mil operações de compra de caminhões novos em todas as regiões do Brasil, por caminhoneiros autônomos, cooperativados e frotistas. Em sua nova etapa, o volume de recursos disponíveis é dobrado.
Segundo a diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, a 1ª fase do Move Brasil beneficiou mais de 5 mil frotistas e trabalhadores autônomos. “Nesse momento, com a operação do Move Brasil 2, que vai permitir a renovação de frota, com toda nossa rede, mais de 80 instituições financeiras que operam conosco, teremos cada vez mais a possibilidade de atender da melhor forma a cada um e a cada uma de vocês”, afirmou Maria Fernanda.
Já o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, frisou que a instituição vai se empenhar para cumprir os objetivos do programa. “Eu quero deixar aqui o compromisso do Banco do Brasil na operacionalização desta linha. A gente vai operar, além de diretamente com o Banco do Brasil, com o Banco Votorantim, que pertence ao Banco do Brasil. E a gente tem uma capilaridade muito grande no interior”, declarou.
▶️ Assista à cobertura do Canal Gov:

MODERNIZAÇÃO E EFICIÊNCIA — O transporte rodoviário é fundamental para a integração nacional e para o acesso da população a bens e serviços essenciais. O setor enfrenta, atualmente, elevado grau de obsolescência da frota, o que aumenta custos de manutenção, reduz a eficiência energética, agrava a emissão de poluentes e aumenta riscos operacionais e de segurança.
Ao incentivar a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos, eficientes e sustentáveis, o Move Brasil contribui para reduzir custos logísticos, aumentar a produtividade, melhorar a segurança viária e impulsionar a indústria nacional de veículos e implementos rodoviários.
SUSTENTABILIDADE — Os financiamentos estarão condicionados ao cumprimento de critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica, incentivando a aquisição de veículos com menor consumo de combustíveis e menores emissões. A medida está alinhada aos compromissos climáticos do Brasil e às agendas de transição energética e descarbonização, em consonância com os compromissos assumidos pelo país, inclusive no âmbito da COP30.
MEDIDAS PROVISÓRIAS — No evento, duas Medidas Provisórias foram assinadas pelo presidente Lula. A primeira, além de viabilizar a ampliação do Move Brasil, autoriza a União a aumentar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até R$ 2 bilhões. O objetivo é ampliar a capacidade do fundo de oferecer garantias em operações de crédito, principalmente para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), além de estender os prazos de carência e de pagamento dessas operações.
O FGI tem por finalidade facilitar a obtenção de crédito por MPMEs, por meio do compartilhamento do risco das operações com os agentes financeiros. O reforço patrimonial do fundo amplia a capacidade de concessão de garantias, preservando o acesso ao financiamento para empresas viáveis.
A segunda MP, por sua vez, cria crédito extraordinário, no valor de R$ 17 bilhões, com o intuito de dar cobertura ao aporte de R$ 2 bilhões no FGI, à ampliação do Move Brasil, com recursos de R$ 14,5 bilhões e ao aporte de R$ 500 milhões ao Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), com o propósito de viabilizar a ampliação da oferta de garantias públicas às exportações.

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