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Nacional

Catadoras entregam à ministra das Mulheres propostas para ampliar a proteção social

23 de junho de 2026
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As mulheres catadoras de materiais recicláveis deram início, nesta terça-feira (23/6), em Curitiba (PR), a uma agenda nacional de diálogo sobre racismo ambiental, saúde no trabalho e garantia de direitos. Durante a abertura do 1º Encontro Nacional das Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis: Racismo Ambiental e Saúde no Trabalho , representantes de movimentos sociais e organizações da categoria entregaram à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, uma carta com propostas para fortalecer políticas públicas voltadas às trabalhadoras da reciclagem.
Promovido pelo Ministério das Mulheres, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o encontro reúne mulheres catadoras de diferentes regiões do país, organizadas em cooperativas, associações, fóruns e movimentos sociais, além de representantes do Governo Federal, universidades e instituições parceiras.
No documento entregue à ministra, as organizações destacam a importância das mulheres catadoras para a cadeia da reciclagem, a gestão ambiental dos municípios e a construção de uma economia circular mais justa e inclusiva. Entre as prioridades apresentadas estão a ampliação da proteção previdenciária, o acesso a políticas de cuidado, o fortalecimento da autonomia econômica, a ampliação dos serviços de saúde, o enfrentamento às violências e o reconhecimento das catadoras como agentes fundamentais da sustentabilidade e da justiça climática.
Ao receber a carta, a ministra Márcia Lopes destacou a contribuição histórica das catadoras para a preservação ambiental, a geração de renda e a organização comunitária nos territórios. “Tudo o que a gente quer é ouvi-las. Nós temos no Ministério das Mulheres um fórum de mulheres catadoras de material reciclável, e elas dão depoimentos incríveis, dizendo que cuidam da natureza, ajudam a limpar a cidade, preservam o meio ambiente e garantem renda para suas famílias. Quando criam cooperativas e se organizam coletivamente, mostram também a força da solidariedade entre as mulheres”, afirmou.
A ministra ressaltou ainda que as demandas apresentadas pelas participantes reforçam a necessidade de uma atuação integrada entre diferentes áreas do poder público. “Vocês deram uma lista de demandas que mostra exatamente isso. A política para as mulheres é intersetorial e transversal. É isso que nós temos que fazer o tempo todo: dialogar com todas as áreas e construir respostas no nível federal, estadual e municipal”, completou.
Reconhecimento e justiça ambiental
A mesa de abertura reuniu representantes de instituições públicas, movimentos sociais e organizações parceiras que atuam na promoção dos direitos das catadoras. O diretor da Fiocruz Paraná, Fabiano Figueiredo, destacou a importância do encontro como espaço de reconhecimento e escuta das mulheres que atuam na reciclagem e enfrentam diariamente os impactos das desigualdades sociais, do racismo ambiental e da precarização do trabalho.
A deputada federal Carol Dartora, apoiadora do encontro e do projeto Racismo Ambiental e Climático: Análise das Condições de Trabalho e Monitoramento das Ilhas de Calor e Frio em Territórios de Catadoras de Materiais Recicláveis no Paraná, desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), destacou a importância de reconhecer o papel dessas trabalhadoras na preservação ambiental e os impactos da crise climática sobre suas condições de vida e trabalho.
“São as catadoras que estão expostas à crise climática, ao sol e a um trabalho muitas vezes sem a condição de sequer tomar água. E são as catadoras as principais agentes ambientais, porque são responsáveis por manter efetivamente a cidade limpa, por fazer a coleta dos resíduos recicláveis que poderiam muitas vezes chegar aos rios, provocando até mesmo enchentes”, afirmou.
Vozes das catadoras
Representando o Fórum para Promoção da Autonomia e Inclusão Socioeconômica de Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis , Verônica Cardoso destacou a importância da iniciativa para dar visibilidade às condições de vida e trabalho das catadoras e aproximar a produção de conhecimento científico da realidade vivida nos territórios. “Quando me apresentaram esse projeto, eu até estranhei. Pensei: ‘Nossa, pensaram em nós lá na rua’. O impacto do sol, a falta de água, tudo isso afeta nossa saúde. É muito importante saber que existem pessoas e instituições dispostas a olhar para essa realidade e construir soluções junto com a gente”, afirmou.
Representando o Pimp My Carroça, Nanci Darcolléte ressaltou que as mulheres catadoras estão na base da cadeia da reciclagem e convivem diariamente com os impactos das desigualdades socioambientais. “Nós, catadoras, não estamos à margem da sociedade. Nós sustentamos todo esse ciclo enquanto base. Nós, mulheres catadoras, estamos à frente disso mantendo toda uma cadeia produtiva”, afirmou.
Nanci também destacou que o encontro contribui para dar visibilidade a problemas vivenciados historicamente pelas comunidades periféricas. “A gente começa a descobrir coisas que o pessoal está tratando com nomes difíceis — racismo ambiental, crise climática, mudanças climáticas — e percebe que já trabalha essas questões nas periferias há muitos anos. A gente começa a entender por que tem tanta enchente onde a gente mora, tanta onda de calor”, afirmou.
Programação segue até quinta-feira
Até o dia 25 de junho, o encontro contará com debates sobre racismo ambiental, mudanças climáticas, saúde e condições de trabalho, georreferenciamento e cartografia social, além da realização da 3ª Reunião do Fórum para Promoção da Autonomia e Inclusão Socioeconômica de Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis.
A programação inclui ainda uma exposição fotográfica sobre os territórios e as vivências das catadoras, a exibição de documentário produzido em parceria entre o Ministério das Mulheres e a UFPR e uma feira de artesanato organizada pelas participantes.
O encerramento será marcado pela leitura da Carta Compromisso das Mulheres Catadoras, documento que reunirá propostas construídas coletivamente ao longo do encontro para subsidiar o fortalecimento das políticas públicas voltadas à categoria.

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