A Confederação Única dos Trabalhadores (CUT), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e federações industriais se uniram para pressionar o governo federal a não prorrogar as cotas com alíquota zero para veículos eletrificados chineses. Apesar da mobilização, a Câmara de Comércio Exterior (Gecex) prorrogou por mais seis meses as cotas de importação para veículos desmontados e semidesmontados, no valor de R$ 2,4 bilhões. As informações são da Gazeta do Povo. A decisão favorece principalmente a montadora chinesa BYD, que começou a produzir carros no Brasil em 2025 em Camaçari (BA), onde antes funcionava a unidade da Ford. A empresa utiliza o modelo SKD, no qual os veículos chegam pré-montados e são finalizados no complexo industrial. A Anfavea enviou carta ao presidente Lula pedindo a recomposição do imposto de importação aplicável aos veículos eletrificados. Segundo a entidade, a medida é essencial para a manutenção de empregos e o fortalecimento da cadeia produtiva nacional. Sérgio Nobre, presidente da CUT, também enviou carta a Lula em nome de centrais sindicais e sindicatos de metalúrgicos. Ele pediu a suspensão da portaria que ampliou para US$ 463 milhões a cota de importação com alíquota zero. O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores (Sindipeças) e federações das indústrias também se posicionaram contra a prorrogação. A Anfavea criticou a decisão e alertou que ela coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram planos de investimento. A associação ressalta que a indústria anunciou investimentos de até R$ 140 bilhões até 2033, contando com as regras pactuadas. O Sindipeças informou que investimentos podem ser reduzidos ou eliminados pela falta de previsibilidade. As cinco maiores montadoras chinesas — BYD, GWM, Geely, Omoda e Jaecoo (grupo Chery) e GAC — tiveram 15% de participação nos emplacamentos de automóveis novos entre janeiro e maio de 2026, segundo a Fenabrave. Somente a BYD teve participação de 8,9% nos emplacamentos nos cinco primeiros meses do ano, contra 5,4% no mesmo período de 2025. Os investimentos da indústria automobilística chinesa no Brasil foram de US$ 965 milhões em 2025, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China. A Geely adquiriu 26,4% da Renault do Brasil e prevê investimentos de R$ 680 milhões até 2027 para produzir veículos de baixa ou zero emissão no Paraná. Todas as cinco maiores montadoras chinesas apresentaram crescimento no volume de pesquisas no Google em 2026. A Geely teve crescimento de 450% nos seis primeiros meses do ano, seguida pela Omoda (250%), GAC (160%), GWM (60%) e BYD (8%). Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google