A revisão do Plano Diretor de Curitiba propõe uma mudança na forma como a capital pretende crescer nas próximas décadas. Em vez de estimular a expansão para áreas ainda pouco ocupadas, a proposta prioriza o adensamento de regiões que já contam com infraestrutura, transporte coletivo, comércio e serviços. A ideia é aproveitar melhor a cidade que já existe, reduzindo custos públicos, deslocamentos e impactos ambientais. Na prática, isso significa incentivar novos empreendimentos em áreas capazes de receber mais moradores, como a região central, o entorno da Linha Verde e bairros como Boqueirão, Portão, Pinheirinho, Rebouças, Boa Vista e Cajuru. O Plano Diretor de Curitiba também prevê fortalecer os eixos estruturantes do transporte coletivo e as chamadas centralidades dos bairros, aproximando moradia, trabalho, comércio e serviços. Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a cidade já possui uma estrutura urbana consolidada, com corredores de transporte coletivo, redes de água, esgoto, energia, equipamentos públicos e comércio distribuídos em diferentes regiões. Por isso, a proposta é aproveitar melhor essa infraestrutura antes de expandir a ocupação para áreas que ainda demandariam novos investimentos públicos. A estratégia segue o conceito de cidade compacta e do Desenvolvimento Orientado pela Sustentabilidade Urbana (DOSU), modelo que busca reduzir o consumo de novas áreas, preservar espaços ambientalmente sensíveis e organizar o crescimento em torno da infraestrutura já existente. Plano Diretor de Curitiba aposta em bairros mais completos Mais do que permitir novas construções, o Plano Diretor de Curitiba pretende estimular bairros onde moradia, comércio, serviços, emprego e equipamentos públicos estejam mais próximos entre si. De acordo com o Ippuc, concentrar mais moradores ao longo dos eixos estruturantes do transporte coletivo torna o sistema mais eficiente e reduz a dependência do automóvel. A proposta também incorpora o conceito de “cidade de 15 minutos“, em que a população consegue resolver boa parte das atividades do cotidiano perto de casa, utilizando o transporte coletivo, a bicicleta ou caminhando. Essa lógica não vale apenas para a região central. O Plano também pretende fortalecer centralidades distribuídas pelos bairros, ampliando a oferta de comércio, serviços e oportunidades de trabalho fora do Centro e tornando a dinâmica urbana mais equilibrada. Outro princípio da proposta é que o adensamento seja acompanhado pela qualificação dos espaços urbanos. Segundo o Ippuc, o crescimento populacional deverá caminhar junto com investimentos em transporte coletivo, mobilidade ativa, equipamentos públicos, áreas verdes, infraestrutura urbana e soluções ambientais, tornando os bairros mais completos e preparados para atender à população. Mercado apoia estratégia, mas cobra regras claras Para o mercado imobiliário, direcionar o crescimento para regiões que já possuem infraestrutura está alinhado às boas práticas de planejamento urbano, desde que a proposta seja acompanhada de segurança jurídica e previsibilidade. A presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), Maria Eugênia Fornea, avalia que Curitiba possui diversas áreas com potencial para receber novos empreendimentos, especialmente onde já existe transporte coletivo e oferta consolidada de serviços. “De forma geral, entendemos que direcionar o crescimento para áreas já urbanizadas é um princípio alinhado às boas práticas de planejamento urbano. O ponto central será a forma como essas diretrizes serão implementadas na prática”, afirma. Segundo ela, o incentivo ao uso misto dos imóveis e à diversificação das tipologias habitacionais pode alterar o perfil dos empreendimentos lançados na cidade e contribuir para bairros mais ativos e dinâmicos. Outro aspecto destacado pela representante da Ademi é o potencial de ocupação de imóveis hoje subutilizados, principalmente na região central. “Curitiba possui um patrimônio edificado com potencial para retrofit. Instrumentos que promovam segurança jurídica, simplificação dos processos e incentivos adequados podem estimular a reocupação desses imóveis e contribuir para a revitalização urbana”, diz. Apesar de considerar positiva a proposta do Plano Diretor de Curitiba, Maria Eugênia ressalta que sua efetividade dependerá da regulamentação dos instrumentos previstos na nova legislação. “Não basta existir a intenção de ampliar a oferta de moradias ou incentivar novos empreendimentos. É preciso que existam condições econômicas para que esses projetos sejam viáveis. O mercado responde aos incentivos e às regras estabelecidas, por isso a regulamentação será determinante para transformar os objetivos do Plano em resultados concretos”, conclui. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google