O comércio de rua enfrenta uma mudança estrutural no comportamento do consumidor brasileiro. Entre 2020 e 2025, o faturamento do comércio eletrônico no país saltou de R$ 126,45 bilhões para R$ 235,52 bilhões, um crescimento de 86,3%, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOMM). Ao mesmo tempo, manter uma loja física ficou mais caro e o orçamento das famílias passou a ser pressionado pelo endividamento. As informações são da Gazeta do Povo. Para o economista Fernando Balotim, especialista em reconstrução de empresas, a pandemia acelerou uma transformação que já estava em curso. O consumidor deixou de depender do deslocamento até a loja porque encontrou conveniência no comércio eletrônico. A expansão de grandes marketplaces como Mercado Livre e Amazon, além de plataformas internacionais como Shein e AliExpress, ampliou a oferta de produtos a preços competitivos e intensificou a concorrência em segmentos como vestuário, eletrônicos e acessórios. Internet ganha espaço nas decisões de compra Pesquisas da Fecomércio-PR mostram que o comércio de rua perdeu participação nas intenções de compra. No Dia dos Namorados, a intenção de comprar pela internet aumentou de 29,6% para 35%, enquanto o comércio de rua recuou de 33,6% para 29,4%. No Dia das Mães, as compras pela internet cresceram 8,6%, enquanto o comércio de rua perdeu 2,6% de participação. Lucas Dezordi, assessor econômico da Fecomércio-PR, avalia que o consumidor está reduzindo sua intenção de compras em lojas de rua porque a internet e os shoppings ficaram mais acessíveis e seguros. O custo de manter uma operação física também aumentou. Os preços de locação de imóveis comerciais subiram 8,91% em 2025, a maior alta da série histórica do Índice FipeZAP Comercial, iniciada em 2013. Em Brasília, a alta acumulada foi de 18,80%. Além do aluguel, despesas como folha de pagamento, energia elétrica, impostos e estoque pressionam o caixa das empresas mesmo quando o fluxo de clientes diminui. Endividamento e juros altos pressionam consumidores A queda no movimento das lojas ocorre quando os consumidores enfrentam maior pressão sobre o orçamento. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 81,6% das famílias brasileiras estão endividadas. O endividamento torna os consumidores mais seletivos e reduz o espaço disponível no orçamento para produtos não essenciais. Balotim afirma que o comércio de rua enfrenta um triplo estrangulamento: queda da demanda, aumento dos custos operacionais e juros elevados. As taxas para capital de giro destinado a micro e pequenas empresas variam entre 23% e 26% ao ano, segundo o Banco Central, podendo superar 30% em operações de curto prazo. O comerciante Alisan Oliveira de Cardoso, de 33 anos, decidiu entrar no comércio eletrônico como alternativa para ampliar as vendas de sua loja de móveis em Curitiba. Nos últimos seis anos, após começar a vender online, as vendas cresceram 50%. Para Balotim, o comércio de rua não vai morrer, mas o seu modelo de geração de valor mudou para sempre. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google