O ministro da Fazenda, Dario Durigan, atacou o presidente argentino Javier Milei na segunda-feira (27), chamando-o de “palhaço” e citando indicadores econômicos negativos da Argentina em meio à crise diplomática entre os dois países. Porém, economistas ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que é justamente o Brasil que tem lições a aprender com a gestão de Milei, especialmente na área fiscal. As informações são da Gazeta do Povo. Durigan mencionou que o risco país, a dívida pública e a inflação da Argentina são muito mais altos do que os do Brasil. Marcos Vinícius Oliveira, economista da ZIIN Investimentos, reconhece que a comparação é verdadeira, mas destaca que ela ignora a direção dos indicadores. A Argentina partiu de uma inflação anual superior a 200% e de uma dívida pública em torno de 156% do PIB no início do governo Milei, herdados da gestão de Alberto Fernández, aliado do presidente Lula. Hoje a inflação mensal oficial argentina está na casa de 2%, e a dívida caiu para 78,4% do PIB. O país teve o primeiro superávit primário em 14 anos em 2024, equivalente a 1,8% do PIB, e repetiu o feito em 2025, com 1,4% do PIB. O PIB argentino cresceu 4,4% em 2025, enquanto o brasileiro avançou 2,3%. O risco país argentino recuou de 1,4 mil pontos em dezembro de 2023 para 443 em junho deste ano, uma queda de 70%. Brasil registra déficit e aumento da dívida pública Enquanto a Argentina apresenta melhora nos indicadores, o Brasil caminha na direção oposta. O governo brasileiro registrou déficit primário de R$ 43 bilhões em 2024 e de R$ 61,7 bilhões em 2025, segundo o Tesouro Nacional. A dívida bruta brasileira chegou a 81,1% do PIB em maio, o maior nível em cinco anos. A projeção oficial da inflação está em 5,1%, acima da meta de 3% do Banco Central, que tem limite de tolerância até 4,5%. Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, reconhece que a Argentina ainda enfrenta enormes desafios sociais, mas destaca que poucos governos conseguiram promover um ajuste fiscal tão profundo em tão pouco tempo. Ela afirma que as contas públicas respondem à calculadora, não a discursos, e que a redução da inflação crônica devolve previsibilidade para famílias, empresas e investidores. Argentina cortou gastos enquanto Brasil aumenta arrecadação Um dos principais diferenciais entre os modelos adotados por Milei e Lula é a qualidade do ajuste fiscal. Enquanto a estratégia brasileira foca no aumento da arrecadação, o governo argentino cortou gastos públicos. O gasto primário argentino caiu 27% em termos reais em 2024, com mais de 1,3 mil normas eliminadas e mais de 200 órgãos estatais fechados. Historicamente, o ajuste pelo lado do gasto tende a ser mais estrutural e respeitado pelo mercado do que o ajuste pela receita, que costuma ser transitório. Para os analistas, a Argentina ainda tem desafios a superar, mas há lições que o Brasil pode extrair do modelo de Milei. A âncora fiscal, o compromisso com o superávit como meta mensurável e o ajuste concentrado em despesa são exatamente o que falta ao Brasil, segundo Oliveira. Para a CEO da Magno Investimentos, a grande lição não está em copiar políticas, mas em compreender princípios. Há diferença entre crescer distribuindo gasto público e crescer distribuindo confiança, afirma. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google