Curitiba ganha, a partir desta quarta-feira (29), um novo reforço no combate à dengue. A Prefeitura inicia, no bairro Sítio Cercado, a liberação dos chamados “wolbitos”, mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, uma ação que ajuda a reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya. Segundo o gerente de Implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre, a Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos existentes na natureza — mas não no Aedes aegypti. “No Método Wolbachia, os pesquisadores introduziram essa bactéria no Aedes aegypti por meio de um processo realizado em laboratório. A partir disso, o mosquito passa a conviver com a Wolbachia durante toda a sua vida”, explica. Segundo ele, a bactéria cria um ambiente interno que impede a multiplicação dos vírus, reduzindo a capacidade do mosquito de transmitir as doenças — sem alterar sua aparência física. Diferentemente de métodos que buscam eliminar o mosquito, a técnica aposta na substituição gradual da população local. “Os mosquitos com Wolbachia, quando liberados em campo, se reproduzem com os mosquitos locais, criando uma nova geração com a bactéria”, afirma Sylvestre. As liberações ocorrerão semanalmente, ao longo de 26 semanas, tempo estimado para que a maioria da população de mosquitos da região passe a carregar a bactéria. Durante esse período, a orientação é que a população mantenha os cuidados de sempre. “No dia a dia, os moradores devem continuar a rotina normalmente, eliminando criadouros, passando repelente e matando os mosquitos, se necessário, pois não é possível identificar se o mosquito tem ou não Wolbachia a olho nu”, orienta. Método reduziu quase 90% dos casos de dengue em cidade do Brasil Sobre a segurança do método, o gerente descarta qualquer risco à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. “A Wolbachia existe na maioria dos insetos, como libélulas, abelhas e moscas-da-fruta. A bactéria vive dentro da célula do mosquito, então, quando o inseto morre, ela também morre”, afirma. Ele também destaca que a segurança da técnica é respaldada por estudos internacionais e pela experiência realizada em dezenas de cidades ao redor do mundo — entre elas Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu e Londrina. Em Niterói, a redução dos casos de dengue chegou a 89%, enquanto Campo Grande já registra 63% de queda nos primeiros resultados. A nova tecnologia se soma a um conjunto de ações que já vem reduzindo os casos de dengue na capital paranaense: entre 1º de janeiro e 20 de julho deste ano, Curitiba registrou queda de 94% nos casos em comparação ao mesmo período do ano passado. Método Wolbachia já reduziu em até 89% os casos de dengue. Foto: Brenda Nascimento.Método Wolbachia O Método Wolbachia fez com que o pesquisador Luciano Moreira fosse reconhecido na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, divulgada em abril. Moreira é CEO da Wolbito do Brasil, a maior biofábrica do mundo de criação de Aedes aegypti com Wolbachia, instalada em Curitiba. A unidade tem capacidade para produzir 100 milhões de ovos de mosquitos com Wolbachia por semana, com a meta de proteger 14 milhões de brasileiros anualmente. A bactéria atua como um competidor biológico dentro das células do inseto. Quando o mosquito a carrega, os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela não conseguem se replicar de forma eficiente. Dessa forma, o objetivo do programa não é erradicar a espécie, mas substituir a população selvagem por uma população inofensiva — utilizando o próprio mosquito para combater a proliferação das doenças. SERVIÇOLiberação de mosquitos com tecnologia Wolbachia contra a dengueData: quarta-feira (29/7)Horário: 11hLocal: Praça Professora Marli Queiroz de Azevedo, Sítio Cercado (Distrito Sanitário Bairro Novo) Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google