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Cai o índice de roubo e furto de veículos no estado de São Paulo, mas os eventos envolvendo utilitários seguem em alta

6 de março de 2026
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Os dois principais alvos dos criminosos são os automóveis e as motocicletas. Foto: Freepik.O Estado de São Paulo registrou queda de 11,43% nas ocorrências de roubo (Art. 157) e furto (Art. 155) de veículos, em 2025, na comparação com o ano anterior. Foram 88.544 boletins de ocorrência envolvendo todos os segmentos, contra 99.968 registrados em 2024. Os dados são do Boletim Tracker Fecap, que acaba de ser divulgado.A queda foi mais acentuada na modalidade de roubo (20,94% – de 20.860 para 16.489 casos). Os furtos caíram 8,92% (de 79.108 para 72.055). “De cada 10 veículos que desaparecem, oito são furtados e dois roubados, em média. Isso porque o furto é um delito com pena mais branda e não exige tanto preparo dos criminosos”, avalia o pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) responsável pelo estudo, Erivaldo Vieira.

Os dois principais alvos dos criminosos são os automóveis e as motocicletas, que representaram 88,7% do total de ocorrências em 2025.

O estudo aponta que os utilitários se destacaram negativamente, com uma queda de apenas 2,9% no total de eventos, sendo que o furto registrou um leve aumento de 0,22%. Já os roubos caíram 12,2%, uma redução menos acentuada do que a de automóveis (-29,4%) ou camionetas (-26,8%). Segundo o gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, Vitor Corrêa, esse é um indicador de especialização dos criminosos.

“Enquanto os crimes de oportunidade e os roubos mais violentos diminuem, uma modalidade criminosa mais técnica e direcionada ganha força. Um fenômeno diretamente ligado à transformação econômica e logística das áreas urbanas. O crescimento exponencial do e-commerce e dos serviços de entrega rápida aumentou drasticamente a frota de veículos utilitários (como furgões, vans e VUCs) em circulação, que ficam mais vulneráveis à ação dos bandidos”.

Cidades com mais roubos e furtos

Apesar da queda nos índices gerais, as 10 maiores cidades do ranking agora concentram 69,01% de todas as ocorrências do estado, um leve aumento em relação ao ano anterior. “Isso demonstra que, embora o crime esteja recuando, ele permanece fortemente enraizado nos grandes centros logísticos e demográficos, é o que chamamos de hiperconcentração urbana”, explica Erivaldo Vieira.

Campinas (+2,1%), Sorocaba (+5,4%) e Diadema (+2,5%) apresentaram aumento no total de ocorrências, contrariando a tendência geral. A causa primária para o aumento geral nesses municípios é o crescimento expressivo do crime de furto:

Diadema: Aumento de 14,55% nos furtos.

Sorocaba: Aumento de 9,79% nos furtos.

Campinas: Aumento de 6,11% nos furtos.

São Bernardo do Campo: Aumento de 1,34% nos furtos.
Na Região Metropolitana, o destaque positivo é Mauá, que registrou a maior queda proporcional entre os municípios analisados (−20,7%), seguida por Santo André (−16,3%) e Guarulhos (−11,4%).

Na capital, o crime é mais distribuído. Os 20 bairros com mais casos não chegam a representar um terço do total da cidade, exigindo uma presença policial onipresente.

A Zona Leste e a especialização no furto

A Zona Leste de São Paulo se consolida como o epicentro dos furtos de veículos. Bairros como Vila Matilde (+0,28%) e São Mateus (+1,90%) não apenas resistiram à tendência de queda, mas registraram um aumento no número de furtos. Embora outros bairros da região, como Tatuapé e Ipiranga, tenham tido quedas expressivas, a resiliência do furto em pontos específicos da Zona Leste é um forte indicativo da presença de uma infraestrutura criminal consolidada, provavelmente ligada a desmanches e receptadores.

O caso de Santo Amaro, na Zona Sul, é particularmente emblemático. Com um aumento de 14,72% nos furtos, o bairro se tornou o líder de ocorrências em 2025, mesmo com uma queda expressiva nos roubos (-34,95%). Isso sugere uma migração ou especialização da atividade criminosa local para o furto, um crime de menor risco e maior volume, ideal para abastecer o mercado ilegal de peças.

A periferia da Zona Sul e a persistência do roubo

Bairros da periferia da Zona Sul, como Grajaú (171 roubos) e Campo Limpo (133 roubos), e da Zona Leste, como São Mateus (132 roubos), se destacam como as áreas com os maiores números absolutos de roubos. Nesses locais, o roubo representa uma parcela muito maior do total de crimes (35% no Grajaú, 27% no Campo Limpo) em comparação com bairros centrais ou da Zona Leste mais focados em furto (Tatuapé com 4%, Vila Mariana com 2%). Isso indica que, nessas regiões, o risco de um confronto violento para a subtração do veículo é substancialmente maior.

“Uma possível explicação para essa reorganização é a eficácia e, ao mesmo tempo, a limitação geográfica de programas de monitoramento, como o Smart Sampa. Com a intensificação da vigilância eletrônica em áreas centrais e de grande circulação, a criminalidade parece ter se deslocado para onde há menos ‘olhos’”, analisa o coordenador do Boletim Tracker Fecap.

Variação Percentual por Bairro (2025 x 2024)

As ruas dos bairros de Santo Amaro (+21,6%), Vila Prudente (+12,6%) e São Mateus (+12,2%) registraram aumentos significativos nos eventos de roubo e furto. Já o Ipiranga reduziu 39,9%, o Tatuapé teve queda de 31,1% e Sapopemba diminuiu 21,4%. Saíram do ranking 2025 os bairros de Santana e Itaquera; e entraram Penha e São Lucas.

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