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Endividamento de famílias pobres ameaça travar economia em 2027

26 de agosto de 2026
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O endividamento recorde das famílias brasileiras, que chegou a 82% em julho de 2026, concentra-se entre os mais pobres e pode frear o consumo e a economia a partir de 2027. Entre quem ganha até três salários mínimos, 38,5% estão inadimplentes, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Com o fim dos estímulos fiscais, essas famílias podem ser obrigadas a cortar gastos. As informações são da Gazeta do Povo. O endividamento geral entre famílias de baixa renda subiu de 81,2% em julho de 2025 para 84,9% em julho de 2026. A inadimplência cresceu apenas nessa faixa de renda, enquanto recuou entre quem ganha mais. Entre os mais pobres, 17,8% declararam que não terão condições de quitar dívidas em atraso. Analistas apontam que a expansão do crédito dos últimos anos, impulsionada pela digitalização bancária e incentivos fiscais, cobra um preço maior de quem ganha menos. A situação atual é pior que a de 2014, antes da recessão. Dados do Banco Central mostram que o endividamento representava 38,2% da renda disponível em março de 2014 e hoje alcança 49,7%. O comprometimento de renda com juros e amortizações subiu de 22,9% para 29,3%, próximo ao recorde histórico. As famílias de menor renda absorveram as modalidades de crédito mais caras, como cartão de crédito e empréstimo pessoal não consignado. Enquanto a taxa básica de juros (Selic) caiu de 15% para 14% ao ano, a taxa ao consumidor subiu para 64% ao ano em junho. Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, atribui a demora na redução dos juros ao risco de crédito elevado. Estudo do BTG Pactual, assinado por Mansueto Almeida e Thiago Berriel, ressalta que o mesmo valor gasto com dívida reduz mais o consumo quando pesa sobre famílias de menor renda. O banco projeta que, no melhor cenário, o crescimento do consumo familiar cairá para 0,8% em 2027, com o endividamento recuando de 49,4% para 47,9% da renda disponível. Em um cenário pior, com ajuste fiscal e juros altos, o consumo poderia retrair 0,4% no próximo ano. O temor maior é que novos estímulos fiscais em 2026 elevem o endividamento a 51% da renda disponível, causando contração de 6% no crédito em 2027 e levando a economia à recessão. Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

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