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Indígenas do Acre obtêm pagamento imediato por vendas da agricultura familiar

30 de janeiro de 2026
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No coração da floresta acreana, onde o rio é estrada e o tempo de deslocamento pode levar um dia inteiro, uma entrega simples mudou a rotina de dezenas de famílias indígenas. Nos dias 22 e 23 de janeiro, agricultores da Terra Indígena Alto Rio Purus, na Aldeia Dois Irmãos, receberam diretamente em suas mãos os cartões do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) já ativados e prontos para uso, sem a necessidade de enfrentar longas viagens de barco e estrada até a agência bancária mais próxima.
Com os cartões habilitados, os agricultores passam a sacar ou utilizar imediatamente os valores pagos pelos alimentos fornecidos ao programa. A ação foi realizada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com o Banco do Brasil (BB) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Para garantir a entrega, um servidor do MDS e dois do Banco do Brasil partiram de Manoel Urbano (AC) e seguiram por via fluvial até o território, com apoio logístico da Funai, que também mediou o diálogo com a comunidade. Os cartões foram entregues já ativados, com senha liberada e função débito habilitada. A medida buscou superar as barreiras impostas pelo isolamento geográfico da região e garantir acesso imediato aos recursos.
Impactos para os Indígenas
O fornecedor de banana e mandioca ao PAA, Tiago Domingos Kaxinawá conta que, antes, boa parte do dinheiro recebido acabava comprometida com a longa viagem até a agência bancária de Sena Madureira. Com os cartões entregues na aldeia, o recurso agora fica com a família. “É uma ação importante porque facilita a participação dos indígenas no PAA”, afirma.
O cacique Francisco Kaxinawá reforça o impacto. “A gente mora muito longe. Essa ajuda foi muito importante. Nossa renda é baixa. Com o PAA, dá para ajudar a família e comprar as coisas que a gente precisa”, acrescentou.
Os resultados do programa já aparecem no cotidiano da comunidade. Maria Lucina Nascimento da Silva, que fornece amendoim, banana, peixe e frango ao programa, conseguiu realizar um antigo plano: comprar um barco. “Era um sonho. Com o PAA, eu consegui”, comemora. Para ela, a entrega dos cartões na aldeia também trouxe mais segurança aos indígenas. “O Rio Purus é perigoso. Muita gente leva seus filhos nos deslocamentos, crianças pequenas. A vinda da equipe até aqui evitou esse risco”, explicou.
Já a família de Maria Sandra Kaxinawá produz banana, mandioca, milho, batata, cará, mamão, amendoim, peixe e carne suína. Parte da produção deles para o PAA abastece uma escola da região. “Antes, não tínhamos renda. Hoje ajudamos nossa família e ainda contribuímos para a alimentação dos alunos”, conta.
Como funciona
Ao serem habilitados como fornecedores do PAA, agricultores familiares indígenas recebem um cartão bancário para movimentar os recursos pagos pelo Governo Federal, depositados diretamente em conta individual pelos alimentos comercializados. Em áreas remotas, onde o acesso a serviços bancários é limitado, a entrega presencial dos cartões se torna decisiva para garantir que o benefício chegue, de fato, às famílias. Sem a iniciativa, os produtores do Alto Rio Purus precisariam enfrentar até 15 horas de deslocamento para sacar o pagamento.
Segundo o chefe de Projetos do Departamento de Aquisição e Distribuição de Alimentos Saudáveis (Depad) do MDS, Hélcio Lima, a operação exigiu semanas de planejamento. “A ação no Alto Purus foi desafiadora do ponto de vista logístico, mas fundamental para assegurar o direito dos povos indígenas de acessar políticas públicas como o PAA. Os cartões foram entregues com sucesso, ativos e prontos para uso”, afirmou.
Fortalecimento da produção local
Além de gerar renda, o PAA Indígena incentiva a produção e o consumo de alimentos locais, reforça hábitos alimentares e de produção tradicionais e promove segurança alimentar e nutricional. Os produtos adquiridos são distribuídos e doados nas próprias comunidades. A iniciativa é realizada pelo MDS; pelo Governo do Acre, por meio da Secretaria de Agricultura (Seagri); pela Prefeitura de Santa Rosa do Purus e pela Associação dos Produtores Kaxinawá da Aldeia Dois Irmãos (APKADI), com apoio da Funai.
A parceria entre o Governo do Acre e o MDS já destinou mais de R$ 4,2 milhões para a aquisição de alimentos distribuídos para famílias em situação de insegurança alimentar no estado. Em dezembro de 2025, o ministério complementou o investimento com novo repasse de R$ 4 milhões, garantindo a continuidade das ações na Terra Indígena Alto Rio Purus.
Sobre o PAA Indígena
Criado em 2003, o Programa de Aquisição de Alimentos intensificou, desde sua reformulação em 2023, o atendimento a povos indígenas e comunidades tradicionais. Atualmente, está presente em 19 estados e alcança todas as regiões do país.
Leia mais: Indígenas Madiha e Huni Kuin, no Acre, vão fornecer alimentos distribuídos pelo PAA no próprio território
Assessoria de Comunicação – MDS

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