Em 2025, o Paraná foi o terceiro estado do país com maior número de novas mães acima dos 40 anos. Dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos do DATASUS apontam 5.380 nascimentos nesse perfil no ano, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Do total de nascimentos de 2025, uma em cada 26 mães de recém-nascidos tem mais de 40 anos. Nos últimos cinco anos, o estado manteve média anual superior a 5 mil registros. O cenário acompanha uma tendência de crescimento no país ao longo da última década. Entre 2010 e 2022, o número de brasileiras que tiveram filhos após os 40 anos aumentou 59,98%, segundo dados dos dois últimos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Paraná, o avanço foi de 53,4% entre 2010 e 2025, passando de 3.507 nascimentos para mais de 5 mil. Esse movimento reflete mudanças no perfil social e econômico das mulheres, maior inserção no mercado de trabalho e avanços na medicina reprodutiva. Combinados, esses fatores ampliam a possibilidade de maternidade em idades mais avançadas. O impacto é direto nas estatísticas. No Paraná, por exemplo, a idade média ao ter filhos subiu de 27 para 28,4 anos, conforme o último censo. A avaliação médica sobre gravidez após os 35 anos também mudou. A classificação como “idade materna avançada” não implica, necessariamente, maior risco. Segundo a ginecologista, obstetra e epidemiologista Ana Claudia Sodré, cada caso deve ser analisado de forma individual. “Toda gestação tem um risco, seja baixo ou alto. O alto risco não quer dizer, necessariamente, que haverá problemas, mas que exige um olhar mais atento para investigar o que, estatisticamente, pode ocorrer. O risco é avaliado a cada consulta, considerando fatores como hipertensão, diabetes, obesidade e histórico gestacional. Cada gestação é única”, explica. As descobertas da maternidade após os 40 anos Antes mesmo de os números crescerem nas estatísticas, Janice Nascimento já vivia a maternidade após os 40 anos. Ex-professora da educação infantil, ela teve Rebeca aos 43 anos e define a gestação da caçula como a mais tranquila entre as três. A primeira gravidez aconteceu aos 22 anos. Mesmo sem histórico de complicações, Janice precisou de internações ao longo do período. Aos 28, teve o segundo filho sem intercorrências. Com Rebeca, o cenário também foi estável, mas o que mudou, para Janice, não foi o corpo. Foi ela. Janice com Rebeca. Foto: Arquivo pessoal“Com a Rebeca, sou uma mãe mais calma. Com os meninos, era mais agitada, me cobrava mais. Talvez não tivesse tanto pique para brincar na idade em que ela nasceu, apesar de trabalhar com crianças, mas sempre tive paciência”, lembra. A transformação no “ser mãe” também marcou a experiência de Luciana Pilato. A filha mais nova, Ello, nasceu no ano em que ela fez 41 anos. Hoje com 8 anos, a caçula chegou na véspera do aniversário do pai e completou a família, que já tinha Rudy e Ryan, após três perdas gestacionais. A gestação foi marcada por complicações. Durante os nove meses, Luciana enfrentou descolamento de placenta, abertura do colo do útero — condição que, antes das 37 semanas, pode levar ao parto prematuro — e até uma suspeita de câncer. O que sustentou Luciana foi a rede ao redor: o marido e os filhos adolescentes, que inverteram os papéis sem hesitar. “A parte fácil é que não estava sozinha. Quando meu marido estava viajando, os meninos tomaram a frente de tudo. Passaram a cuidar de mim com o mesmo amor e paciência que eu cuidava deles”, lembra. Luciana com os três filhos. Ello tem 8 anos. Foto: Arquivo pessoalQuando a caçula nasceu, saudável, a dinâmica da casa mudou. Mesmo adolescentes, os irmãos participaram ativamente da criação de Ello, ajudando a transmitir os valores dos pais. “Foi a melhor coisa que nos aconteceu. Todo o medo que senti no começo se transformou em gratidão. Ganhei o título de mãe com o Rudy, me aperfeiçoei com o Ryan e me superei com a Ello”, afirma Luciana. Possibilidades e planejamento da gravidez A realidade de Janice e Luciana não é exceção. Tornar-se mãe após os 40 — pela primeira vez ou mais uma vez — é uma possibilidade cada vez mais cercada de alternativas. Para viabilizar a gestação, procedimentos como fertilização in vitro (FIV) e inseminação artificial já são ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2018, tratamentos de reprodução assistida integram a rede pública de saúde no Paraná. Além disso, fora da rede pública, clínicas particulares também ampliaram o acesso a essas técnicas, com opções consideradas mais acessíveis em cidades como Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel. Apesar da ampliação, no entanto, o acesso ainda é limitado. Segundo a médica Ana Claudia Sodré, esses procedimentos permanecem restritos a uma parcela da população. “Existem mulheres que procuram congelar óvulos para engravidar depois ou que recorrem à doação de óvulos, mas essas alternativas ainda fazem parte de um perfil específico. A maioria das mulheres ainda não consegue acessar esses recursos”, afirma. Além disso, a diferença entre uma gestação aos 20 e aos 40 anos exige atenção específica em cada caso. Por isso, o acompanhamento precisa ser individualizado. O ponto de partida, segundo Sodré, é sempre o mesmo: a consulta ginecológica. “É fundamental procurar um médico capacitado para conduzir a gestação nessa fase da vida. Independentemente da idade, o atendimento precisa ser personalizado. A partir da avaliação ginecológica, o profissional poderá indicar exames e, se necessário, encaminhar para tratamento de fertilidade”, conclui. 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