Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
Informe Curitiba
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
Informe CuritibaInforme Curitiba
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Geral

Obra milionária no Porto de Paranaguá corre risco de ficar ociosa

12 de abril de 2026
Compartilhar

O Moegão do Porto de Paranaguá caminha para a fase final de implantação como uma das principais apostas de infraestrutura logística do Paraná para ampliar a competitividade do corredor de exportação. Com 95% de avanço global e perspectiva de início de testes para o mês de maio, a estrutura pública começa a se aproximar da entrega física. A entrada em operação plena, no entanto, ainda depende de uma questão externa ao canteiro principal: a conexão dos terminais privados ao novo sistema. A estrutura foi concebida para centralizar a descarga ferroviária no Porto de Paranaguá e reduzir um dos principais gargalos operacionais locais, que é a necessidade de múltiplas manobras dos trens, quebras de composição e acessos individualizados aos terminais portuários. Quando operar cheio, o novo sistema permitirá descarregar simultaneamente até 180 vagões em três linhas independentes. O recebimento de cargas pelo modal ferroviário poderá passar de 15% para 50% do total que chega ao porto, alcançando até 24 milhões de toneladas.   Com investimentos da ordem de R$ 600 milhões, as obras começaram no início de 2024 e tinham previsão de conclusão para março deste ano. Mas o prazo chegou com o status atual do empreendimento marcado por uma contradição. Enquanto o ativo central está próximo da conclusão, a malha de conexões que permitirá ao sistema funcionar em escala ainda avança em ritmos distintos entre os operadores – os grãos (soja, milho e farelo) serão enviados por esteiras diretamente para os 11 terminais interligados ao Corredor de Exportação Leste.   Do ponto de vista de infraestrutura, isso significa que Paranaguá deverá inaugurar primeiro a “espinha dorsal” do sistema para, só depois, consolidar a capilaridade operacional necessária para capturar todo o ganho de eficiência previsto. A obra pública, portanto, tende a chegar antes da maturação completa dos investimentos privados complementares.  Dentre os terminais a serem conectados, apenas o da Cotriguaçu iniciou as obras, há cerca de um mês, com previsão de conclusão para outubro deste ano. O diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, conta que há empreendimentos em contratação, outros em licenciamento ou em fase de projeto, mas a integração total ainda levará tempo. “Nossa expectativa é que a totalidade dos terminais operacionais esteja integrada em um horizonte de 12 a 14 meses, contados de março de 2026”, adianta. Algo que, segundo Garcia, já estava precificado. Ele lembra que, quando a viabilidade do Moegão foi confirmada, o passo seguinte foi consultar os representantes dos terminais. “Em absolutamente nada adiantaria a gente construir uma obra desse porte se os terminais dissessem que não iriam interligar. Então nós os procuramos depois de um estágio um pouco mais avançado de conceito – não de projeto, obviamente – e todos disseram: ‘nos interessa’”, recorda.  A partir daí, veio o reforço contratual nos casos em que era possível estabelecê-lo. Os contratos de arrendamento feitos a partir de 2025 (PAR 14, PAR 15 e PAR 25) amarraram a obrigatoriedade de conexão dos terminais ao Moegão a partir da conclusão da obra, conforme prazos e diretrizes definidos pela administração portuária – prazos, estes, firmados em um ano, segundo Garcia. As áreas foram leiloadas em abril de 2025 e os contratos assinados entre agosto e setembro do mesmo ano. O PAR 14 foi arrematado pela BTG Pactual Commodities Sertrading; o PAR 15 pela Cargill Brasil Participações e o 25, pelo consórcio ALDC, formado pela Amaggi e Louis Dreyfus Company.   Para os contratos mais antigos e entre retroportuários – terminais situados fora da zona primária do porto – a autoridade portuária afirma não dispor da mesma margem para impor a adaptação de forma unilateral. Ainda assim, Garcia sustenta que o porto detém instrumentos operacionais para reordenar o uso das linhas quando o sistema entrar em funcionamento, inclusive restringindo manobras fora do novo modelo.   E aposta que a entrada em operação do Moegão tende a produzir um efeito econômico sobre o frete ferroviário. Por se tratar de uma estrutura mais eficiente, a concessionária poderá oferecer valores mais vantajosos para cargas direcionadas ao novo sistema. “Um fator de mercado que nos ajuda a incentivar a conexão direta dos terminais”, afirma o diretor-presidente da empresa Portos do Paraná.  O Moegão do Porto de Paranaguá é uma das principais apostas de infraestrutura logística do Paraná para ampliar a competitividade do corredor de exportação. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná. O gerente do terminal portuário da Cotriguaçu e delegado da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) no Paraná, Rodrigo Buffara, classifica o projeto do Moegão como uma mudança estrutural na lógica de recepção ferroviária do corredor de exportação – e, por isso, a empresa preferiu antecipar os investimentos na conexão.  A empresa opera no porto desde a década de 1970 e aparece como um dos casos mais avançados na resposta privada ao novo ativo público. Buffara afirma que a empresa iniciou a obra de interligação ao eixo do Moegão há cerca de um mês, com investimento de aproximadamente R$ 45 milhões.  “Há alguns (terminais) avançados em orçamento e contratação, mas a obra (sendo executada) somente nós neste momento. Todos, porém, estão vendo de forma estratégica, a questão é o tempo empresarial de cada um. Empresas que abriram orçamento mais antecipado, outras esperando um pouco mais”, relata.  Para ele, a grande vantagem do modelo é substituir um arranjo historicamente fragmentado por uma moega única, de grande escala e maior grau tecnológico, apta a elevar produtividade e melhorar a fluidez da operação. Na avaliação do executivo, a expansão da capacidade ferroviária tornou-se praticamente obrigatória porque o modal rodoviário se aproxima do limite do que a cidade consegue absorver.  Além disso, a empresa não quer perder mercado. “Cada vez mais a competição entre portos está acirrada. Se nós não avançamos, as cargas se direcionam para outros portos.”  Agenda ferroviária em aberto versus Moegão  Mesmo sem todas as conexões concluídas, a avaliação da autoridade portuária é de que a nova estrutura já produzirá ganhos marginais importantes. Garcia afirma que o Moegão foi projetado para suportar até 24 milhões de toneladas, ante um volume muito inferior hoje movimentado por ferrovia na região (cerca de 5 milhões).  Segundo ele, quando o porto iniciou as conversas com a Rumo Logística – concessionária que opera a Malha Sul, ferrovia que leva os trens até o local – ficou claro que, mesmo dentro da lógica operacional de hoje, ainda sem visualizar expansão, é possível operar em potencial máximo. Isso porque o que impede que a participação ferroviária em Paranaguá seja maior não é a ferrovia em si, mas a descarga. “A Serra do Mar tem uma capacidade de quase 40 milhões de toneladas, de acordo com a concessionária ferroviária. A ineficiência está no tempo que os trens precisam (para descarregar), por fazer muitas manobras”, explica o diretor-presidente da Portos do Paraná.  Quando a conversa em torno do Moegão começou, em meados de 2020, faltavam sete anos para o fim da concessão – o contrato com a Rumo vence em fevereiro de 2027. Agora, faltando menos de um ano, o compasso tende a ser de espera por parte da concessionária para que eventuais investimentos ocorram na operação.  À época, mesmo sabendo que os prazos seriam apertados e das indefinições sempre envolvidas em processos de final de concessão, o porto não quis esperar. “Eles (a concessionária) nos mostraram que nosso principal gargalo eram os terminais graneleiros interligados ao nosso corredor de exportação. Uns têm desvios ferroviários excelentes, outros, ruins, e outros nem têm desvios ferroviários”, lembra.  A antecipação valia a pena, na visão da Portos do Paraná, por melhorar o gargalo atual e já projetar a descarga ferroviária das próximas décadas. A obra foi então desenhada para dialogar com a futura reorganização da malha ferroviária paranaense, especialmente no contexto do vencimento da concessão da Malha Sul e das discussões sobre a Ferroeste – a ferrovia sob alçada do estado está em compasso de espera para ir a leilão. Mas Garcia afirma que o porto não poderia esperar a definição completa dessas concessões para só então atacar o problema. Por isso a estratégia foi resolver primeiro a ineficiência local para que Paranaguá não se transforme no elo fraco quando a capacidade ferroviária externa for ampliada. “Não adianta ter uma ferrovia de primeiro mundo se o porto não responder. Olhando as próximas duas, três décadas, que vão certamente agregar muito em capacidade ferroviária, o porto não vai ser o gargalo”, justifica. Moegão também será concessionado  O desafio, agora, é fazer coincidir três calendários diferentes: o da obra pública, praticamente concluída; o dos terminais, ainda em compasso desigual; e o da nova agenda ferroviária do Paraná, que segue em aberto.   Os dois primeiros espera-se resolver antes. O presidente da Portos do Paraná afirma ter solicitado o cronograma de implantação das conexões a todos os terminais envolvidos e, com eles em mãos, ter a previsão do escalonamento das obras – seguindo a prerrogativa de ter tudo pronto dentro de 12 até 14 meses, o que alcançaria maio do ano que vem. Enquanto isso, nos bastidores afirma-se que a Rumo tem intenção de pedir a prorrogação do contrato de concessão da Malha Sul, ao passo que o governo federal sustenta que uma nova licitação ocorrerá. A reportagem questionou a empresa quanto a essa intenção e perguntou como se prepara para viabilizar o uso do Moegão, independentemente do caminho tomado – uma vez que a estrutura permitiria extrair mais da atual operação. Em nota, a Rumo informa apenas que está em diálogo com o governo federal. “O projeto do Moegão do Porto de Paranaguá, quando concluído, deverá trazer mais fluidez, agilidade e eficiência à operação ferroviária no porto, além de reduzir conflitos com o modal rodoviário. Sobre a Malha Sul, a empresa informa que segue em diálogo com o Ministério dos Transportes e que eventuais encaminhamentos e impactos relacionados ao término da concessão estão no âmbito do Governo Federal. A companhia acrescenta ainda que avalia continuamente as oportunidades da carteira de concessões com base em critérios de viabilidade técnica, regulatória e econômica”, diz a nota, na íntegra.  Paralelamente, há um quarto fator: a previsão de colocar o próprio Moegão sob concessão privada. O modelo está sendo ainda desenhado, uma vez que trata-se de um tipo de ativo que opera em lógica diferente dos que existem até hoje no Brasil. “Temos o desafio de modelar algo atrativo ao mercado que não crie qualquer sobressalto econômico para os usuários e mantenha a utilização da ferrovia sempre incentivada”, antecipa o presidente da Portos do Paraná. Por conta disso, ele promete “para breve” a realização de consulta pública sobre o tema. A reportagem procurou ainda outras empresas, como a Louis Dreyfus, Cargill e Coamo, para comentarem as conexões de seus terminais ao Moegão. As duas primeiras preferiram não se manifestar sobre o tema. Não houve retorno da Coamo.   De olho! Vereador Perdeu Piá é investigado por usar GM para se autopromover Alerta Paraná pode sentir efeitos do El Niño a partir de julho; o que esperar Belezas do Paraná Roteiro inusitado: Paraná coleciona estátuas peculiares pelo interior Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print
Painel Informe Manaus de Satisfação: Gostou da matéria?
Love0
Angry0
Wink0
Happy0
Dead0

Você pode gostar também

Geral

Resultado da Lotofácil 3672: veja as dezenas sorteadas

28 de abril de 2026
Geral

Resultado da Mega Sena de hoje (28/04/26): concurso 3001

28 de abril de 2026
Geral

Inauguração da Ponte de Guaratuba terá transmissão ao vivo

28 de abril de 2026
Geral

Multas de pedágio Free Flow suspensas na BR-277 e BR-369. Como regularizar?

28 de abril de 2026
Geral

“Esconderijo” na Ponte de Guaratuba garante vida útil de 100 anos da obra

28 de abril de 2026
Geral

Vereadora que ficou tetraplégica com bala perdida e virou campeã de leis morre aos 42

28 de abril de 2026