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Rua 24 Horas: símbolo de Curitiba se reinventa para o futuro

16 de fevereiro de 2026
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Poucos espaços urbanos sintetizam a identidade de Curitiba quanto a Rua 24 Horas. Localizado entre as avenidas Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco, no coração da capital paranaense, o projeto nasceu em 1991 como uma proposta ousada: ser um eixo comercial, cultural e de convivência aberto dia e noite. Mais de três décadas depois, mesmo sem manter o funcionamento ininterrupto, a Rua 24 Horas preserva seu papel como um dos endereços mais simbólicos da cidade, agora em um processo de reposicionamento que dialoga com as transformações do centro da capital. Idealizada pelo então prefeito Jaime Lerner, a criação da Rua 24 Horas marcou um período de intensa inovação urbana. “Virou um símbolo de vanguarda da cidade. Foi a primeira rua coberta 24 horas da América do Sul”, relembra Luiz Breda, empresário e presidente da Comissão de Eventos e Marketing da Rua 24 Horas, a Cate. Segundo ele, a perda gradual do modelo original não se explica por um único fator. “Curitiba se descentralizou, os bairros se fortaleceram, a Região Metropolitana cresceu e o centro deixou de concentrar a vida urbana como acontecia nos anos 1990 e início dos anos 2000”. A mudança de dinâmica não apagou, no entanto, a força simbólica da Rua 24 Horas, que permanece como cartão-postal, ponto de encontro e referência turística. Como a Rua 24 Horas funciona hoje A Rua 24 Horas opera em horário comercial e concentra principalmente serviços, gastronomia e comércio voltados ao público visitante e aos trabalhadores da região central. O perfil do público mudou, e o turismo passou a exercer papel determinante na vitalidade do espaço. A transferência do ponto inicial da “Linha Turismo” do transporte coletivo para a Rua 24 Horas é considerado um divisor de águas. “Foi um pedido da associação de lojistas e isso irrigou a Rua 24 Horas e toda a região”, explica Breda. Com mais de 20 hotéis no entorno imediato, a circulação de turistas tornou-se parte fundamental da rotina do local. Dados do Instituto Municipal de Turismo reforçam essa relevância. Pesquisa de demanda turística realizada em 2024 posiciona a Rua 24 Horas como o 14º atrativo mais visitado de Curitiba, entre os 15 principais pontos turísticos da cidade. Para o presidente do instituto, Rodrigo Swinka, o espaço segue integrado de forma natural aos roteiros de quem visita a capital. “A Rua 24 Horas tem importância estratégica pela localização central, pela oferta de alimentação, serviços e conveniência. Ela aparece como parada recorrente para café, refeição ou fotografia.” Embora o movimento ainda não tenha retomado o patamar anterior à pandemia de Covid-19, a recuperação é visível. “Este é o melhor momento desde 2020. Ainda não atingimos o fluxo de 2019, mas isso deve ocorrer nos próximos anos, com novos empreendimentos no entorno e com o fortalecimento das ações de revitalização do Centro”, projeta Breda. Desafios urbanos e o futuro da Rua 24 Horas de Curitiba A retomada passa, sobretudo, por uma programação intensa de eventos e ações culturais. Encontros mensais de brechós, festivais gastronômicos, transmissões esportivas, programação natalina e atividades integradas a grandes eventos da cidade vêm mudando a percepção do espaço. “Essas ações fazem com que moradores e turistas voltem a ocupar a rua. A imagem muda completamente quando a Rua 24 Horas está cheia de pessoas”, observa o presidente da Cate. Apesar dos avanços, os desafios urbanos seguem no centro do debate. Segurança, iluminação, infraestrutura e a redução do esvaziamento noturno do Centro são apontados como fatores decisivos para a consolidação dessa nova fase. Para enfrentar essas questões, comerciantes e empresários estão estruturando a associação “Curitiba Downtown”, que pretende apresentar ao poder público um conjunto de propostas integradas para a região que vai da Praça Osório até o início do bairro Batel. Na avaliação do arquiteto e urbanista Ricardo Amaral, espaços simbólicos como a Rua 24 Horas exercem função estratégica na regeneração urbana contemporânea. “Eles induzem fluxos, reforçam identidades e reativam economias locais, mas isso só acontece quando há investimento contínuo em requalificação, adaptação aos novos padrões de mobilidade e atualização das formas de uso”, explica. Para ele, a Rua 24 Horas precisa ser entendida como um nó de articulação do centro da capital, conectando percursos, experiências e públicos distintos. “Sem integração com o entorno, sem âncoras fortes de atração e sem políticas consistentes de ocupação, esses espaços tendem a se tornar residuais”, opina. A arquiteta e pesquisadora Andressa Muñoz Slompo complementa que a vitalidade urbana depende de diversidade e apropriação cotidiana. “A cidade é um organismo vivo. Quando um espaço simbólico não acompanha essas mudanças, perde força. A Rua 24 Horas precisa combinar gastronomia, cultura, serviços, economia criativa, turismo e programação permanente. Só assim deixa de ser apenas um ponto turístico e volta a ser um espaço de convivência da população”, afirma a arquiteta e pesquisadora. Slompo destaca ainda que políticas de segurança, mobilidade e iluminação são tão importantes quanto os eventos e o comércio para atrair e consolidar a permanência das pessoas. A retomada integral do conceito de funcionamento 24 horas é vista como inviável no cotidiano atual, mas experiências pontuais com esse perfil estão no radar. “Manter tudo aberto 24 horas não é uma realidade hoje, mas eventos 24 horas, sim. Queremos testar isso”, diz Breda. Ao projetar os próximos cinco anos, ele imagina a Rua 24 Horas consolidada como um hub de cultura, turismo e identidade curitibana. “Um espaço que combine tradição e inovação, liderando a revitalização do Centro e ajudando a transformar essa região em um dos melhores centros urbanos do Brasil.” Fique atento! Até especialistas caíram: o detalhe no boleto do IPVA que rouba seu dinheiro Mercado imobiliário Adeus, preços baixos? Esta região do Paraná virou a nova ‘mina de ouro’ Rango Barateza! O segredo de Curitiba: como uma receita de família virou um império do afeto Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região! Seguir no Google

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